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Linguagista

«Porque/por que»

Fenda gratuita

 

 

      «Porque hão-de alguns portugueses escrever por que (em duas palavras), se não há lógica nem análise possível? Que palavra é aquele “que”? Se responderem que é um pronome, tem de estar em vez de um nome, isto é, há-de ter um antecedente ou referente. Qual é, então, esse nome ou referente, tão íntimo, implícito, subjectivo, que ninguém descortina e serve apenas, como fenda gratuita, para se perpetuarem dúvidas e confusões no ânimo de alguns redactores?» (Nem Tanto Erro!, de Américo F. Alves. Edição do autor, Braga, 1993, p. 33).

 

[Texto 1293]

4 comentários

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    Eugénia 19.06.2012 23:06

    À tardinha apeteceu-me ir ao baú das relíquias. Esta é para si, Montexto, que tanto elogia Vieira. Pode ser que o faça reconsiderar a sua posição sobre estoutro assunto.

    «Porque matou Cahim a Abel ? Porque naõ era outro como elle : Porque efteve Suzàna em rifco de a apedrejarem ? Porque fe naõ fubjeitou à lafcivia dos Suzanos : Porque foraõ aquelles tres mininos lanfados na fornalha de Babilónia ? Porque naõ quizeraõ adorar a Eftàtua de Nabuco. Porque foy prezo, e degolado o Baptifta ? Porque lhe naõ pareceo bem a feníualidade de Herodes.» («Discurso Catholico Sentenciozo contra a Murmuraçam», P. Antonio Vieyra. Lisboa: Antonio da Sylva, 1747, p. 9).

    Decidi manter a grafia original.

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    Montexto 20.06.2012 00:07

    Reconsiderar o quê, santinha? E por quê, se faz favor?
    Está tudo visto e concluído. E, para mim, a decisão passou em julgado. É como a ortografia: aprendi-a menos mal uma vez em certa fase da vida: assunto encerrado, venham lá os acordos que vierem. Tenho mais que fazer do que curar de caganifâncias. «Coisas tão miúdas não é bem que pejem o pensamento de um homem», aconselhou D. Francisco Manuel ao Sr. N. Nem de uma mulher.
    E por hoje, ala, que se faz tarde. Encerro a loja.
    Até amanhã, camaradas (em preito ao artista do PC).        
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    Montexto 20.06.2012 00:19

    Ah, que lá me esquecia do principal: o lugar de Vieira não é no baú das relíquias ou do que quer que seja; é na mesa de cabeceira (não tenho tempo de verificar se isto leva a bênção hifeniana ou não: como vos aprouver), bem aberto e sublinhado, com anotações à margem e devidamente alinhadas nas págs  finais ou iniciais em branco.
    Eugénia, Eugénia, em verdade vos digo: uma só coisa é necessária. E repito: ler, reler, decorar e anotar o Imperador.
    E deixar dizer quem diz; caldos de Vieira, e não mais, é quanto basta para a língua ser feliz.  
    Mil coisas. 
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