«Verboso/eloquente»

Pelos cotovelos

 

 

      «Podia dar-se o caso de os nossos políticos serem especialmente verbosos e telegénicos. Não são. Podia faltar na sociedade portuguesa gente capaz de formar a chamada “classe discutidora”, para usar uma expressão reaccionária com que era catalogada a burguesia liberal. Bem pelo contrário» («O país político e o resto», Pedro Lomba, Público, 3.04.2012, p. 48).

      A terceira acepção de «verboso» no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora é eloquente; facundo. Por aqui, estaria tudo resolvido. Em Bluteau e ainda em Morais, verboso é somente — e é o que está, pressinto, na mente da maioria dos falantes — sinónimo de grande falador, abundante de palavras. Todos os políticos o são, e até ao (nosso) cansaço, mas não é, evidentemente, o que o cronista queria dizer, porque está a par de uma qualidade: a telegenia. Em conclusão: eu não usaria, neste contexto, «verboso», mas sim «eloquente».

 

[Texto 1312]

Helder Guégués às 13:07 | favorito
Etiquetas: