Como querem

Às ordens

 

 

      «Para produzir canhões, Filipe de Brito não olha a meios: incendeia pagodes, derrete o bronze de sinos sagrados, despoja-se dos escrúpulos que ainda lhe restam e ataca Shwedagon, o mais sagrado dos templos budistas do Sul da Birmânia. O erro, Brito, pagou-o caro. Capturado e empalado vivo, o autoproclamado rei da Baixa Birmânia só ao fim de três dias sucumbiu à tormenta, levando para a cova o insensato sonho de um reino português no delta do Irrawady» («Birmânia. A noite em que voltou a esperança à ilha a que os portugueses chamaram Sirião», Marco Carvalho, Público, 7.04.2012, p. 23).

      Por ordem e sem nada escapar (como alguns querem e outros, insensatos, exigem): não podemos ter uma vírgula a separar o sujeito do predicado. «O erro, Brito pagou-o caro.» «Empalado vivo»? Ainda nos há-de dizer, Marco Carvalho, se conhece algum suplício aplicado a mortos. De «autoproclamado» talvez Montexto afirme que o elemento «auto-» está a mais, mas o certo é que, pelo menos no caso em apreço, não saberíamos então, se mais não disséssemos, quem o proclamou. E, por fim, a empalação será uma tormenta ou um tormento?

 

[Texto 1330]

Helder Guégués às 11:20 | comentar | favorito
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