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Linguagista

Regência de «namorar»

Mai’nada

 

 

      «O verbo namorar é transitivo: Manuel namora Maria. [...] Na linguagem de Lisboa, porém, sobretudo na gente de pouca cultura, é vulgar ouvir-se dizer: “Fulano namora com Fulana”, “Fulana namora com Fulano”. Por analogia com expressões como ter ou andar de amores com» (Estudos de Filologia Portuguesa, J. Leite de Vasconcelos. Rio de Janeiro: Livros de Portugal, 1961, pp. 162-63).

      Agora os gramátegos defendem as duas construções. Assim, ninguém erra. Mais um contributo de peso da capital para todo o País. E antigas colónias.

 

[Texto 1397] 

4 comentários

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    Paulo Araujo 19.04.2012 14:45

    NA.MO.RAR

    v.t. 1. Procurar inspirar amor a; cortejar; galantear. 2. Ser namorado de.

    P. 3. Apaixonar-se; enamorar-se; possuir-se de amor.

    Int. 4. Andar em namoros com alguém.

     

                   REGÊNCIA VERBAL

     

    NAMORAR

    1. TD: namorá-lo. Procurar inspirar amor a (alguém); cortejar; reqüestar.

    Desejar ardentemente (algo); cobiçar (um emprego, cargo, por exemplo).

    Fitar (algo) com insistência e vontade de o possuir: Namorar uma jóia.

    Inspirar amor a (alguém) (primitivo, pouco usado); enamorar (forma usada para esta acepção): A sereia namorou um marinheiro.

    Atrair; chamar (pouco usado): "A mesa de jogo namorava-o" (Aurélio).

    2. TD: namorar alguém (namorá-lo) ou TI: namorar com alguém (OBS.). TDp ou Int: namorar(-se). Manter relações de namoro (com alguém); ser namorado: O rapaz namora uma estudante; namora com ela. Eles (se) namoram.

    OBS. A regência primitiva é de transitivo direto — namorá-lo. —, aliás no sentido de 'inspirar amor a', evolução que é de enamorar. Puristas condenam, por isso, a regência namorar com… (cf. Bergo: 258), que no entanto é normal considerando-se os traços 'companhia, encontro' e 'conversa' (ve. conversar 'namorar') — uso "perfeitamente legítimo, moldado em casar com e noivar com" (Aurélio). "E o Dr. Carmo, namorando agora com aquela sem-vergonha" (José Lins do Rego: Jucá). "O Promotor namorava com a filha do coronel Quincas" (Bernardo Élis: Aurélio). Veja também Nascentes, 1960: 144.

    3. TDpI: namorar-se de… Ficar enamorado; enamorar-se: Namorou-se de uma atriz.

    Agradar-se; encantar-se: "Namorou-se da roça e nunca mais voltou a morar na cidade" (Nascentes).

    In: Dicionários Luft.

     

    O latim vulgar andou de lado, para Leste, e acabou na Ibéria; virou romance, galego, caminhou para o Sul (Condado Portucalense), atravessou o oceano em derrota para o sul (em minúsculo, mesmo, afinal...) e acabou se transformando numa geringonça (epa! isto é vocábulo condenado! mistura de castelhanismo e galicismo!) usada por 194 milhões de pessoas; lamentável, n’est-ce pas? ...

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    Montexto 19.04.2012 17:22

    Lamentável é o Lusíada, coitado (ou quem quer que seja), abdicar escusadamente o seu em proveito do alheio, marear o seu e macaquear o alheio. Só isto é lamentável.    
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    Montexto 21.04.2012 16:55

    Lamentável por ex. é isto: «Quem só deseja estar "up to date" acaba por jamais ler os clássicos. A leitura dos contemporâneos toma-lhe todo o tempo. Tal pessoa espera que os autores da moda lhe indiquem quais dos autores do passado ainda devem ser respeitados (por exemplo, Spinoza e Nietzsche) e quais devem ser desprezados (por exemplo, Descartes e Hegel). E, no mais das vezes, como aquilo que os contemporâneos escrevem sobre os autores que recomendam é considerado justamente o supra-sumo destes, torna-se supérflua a leitura dos originais.
    O desejo do contemporâneo não passa de sintoma de um agudo provincianismo temporal. Quando se manifesta no campo da filosofia, talvez o melhor antídoto para ele seja exatamente a leitura cuidadosa dos clássicos.


    Tradicionalmente o brasileiro, tendendo a considerar-se atrasado em relação ao que se discute no Primeiro Mundo, não se dá o direito a pensar antes de estar a par do "dernier cri" europeu ou norte-americano. Ora, mal se conhece o "dernier cri" e ele já deixou de o ser, de modo que, correndo-se atrás do próximo, deixa-se para pensar por conta própria mais tarde.
    E, de volta a Deleuze, devo dizer que, no lugar de tratar um livro como normalmente se escuta uma canção [como aconselhava o francês], acho mais proveitoso, de vez em quando, escutar algumas canções com o respeito e a atenção especial que o bom leitor jamais deixará de dedicar aos bons livros»: António Cícero, Acontecimentos, «O Desejo do Contemporâneo», trechos.


    Isto é que é lamentável. 

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