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Linguagista

«Meio-tempo» e «aparatoso»»

Aparatoso por ser no teatro

 

 

      «Eunice Muñoz estava em palco a ensaiar movimentos para uma dança que faz em palco, na peça, quando terá sentido tonturas. A atriz alertou para o que estava a sentir e saiu do palco para ir medir a tensão. Foi neste meio-tempo que, ao descer as escadas de pedra que dão acesso à saída dos artistas, o acidente aconteceu» («Acidente aparatoso obriga Eunice Muñoz a cancelar estreia», Ana Lúcia Sousa, Diário de Notícias, 9.05.2012, p. 49).

      «Meio-tempo» significa intervalo, pausa, mas a jornalista queria dizer qualquer coisa como «neste comenos». Sim, outra palavra esquecida.

      Aparatoso acidente... «Não há grandes semanas que o meu amigo e quase conterrâneo, o grande escritor Aquilino Ribeiro, num artigo do Século, apanhou pelas orelhas o aparatoso, epíteto bacoquinho com que o escrevente vulgar e o falador vulgar qualificam desastres de automóvel. Se aparatoso quer dizer pomposo, só em desastre propositado, feito de encomenda, com despesas de enterro incluídas, coroas e flores, se admite pompas. Caso para crer que desastre aparatoso não é humilde como os de burro, mina ou andaime. É desastre de primeira classe, com a vaidade humana despendida em capotas pelo ar e outros aparatos» (A Língua Portuguesa, João de Araújo Correia. Lisboa: Editorial Verbo [s/d, mas de 1959], p. 41).

 

[Texto 1489]

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