AOLP90: toda a verdade

Maquilhado

 

 

      «Nuno Pacheco explica detalhadamente as incongruências a que a língua foi sujeita», prometeu — em vão — o locutor logo no início do programa de ontem de Nativos Digitais, dedicado ao Acordo Ortográfico. Apareceu também escrito que «nas rádios a questão não se coloca de uma forma tão vincada porque o acordo tem repercussões sobretudo ao nível da escrita». Sou ouvinte assíduo de rádio, e nomeadamente da Antena 1, e, até agora, não reparei em nenhuma repercussão do Acordo Ortográfico. O director adjunto do Público aduziu o exemplo de «maquiagem», que, «em português de Portugal, quer dizer “abarbatar-se com umas quantias”». Não quer nada, isso é disparate. Temos, como têm os Brasileiros, o verbo maquiar, que significa desfalcar, subtrair, de que não se formou o substantivo «maquiagem». Tão disparate como afirmar que são «milhares, milhares» as palavras diferentes entre o inglês e o inglês americano.

      Já para José Mário Costa (fosse eu jornalista, e escreveria que é o «bonzo do Acordo Ortográfico»), se antes, «nós, mesmo os mais ligados à língua, não éramos capazes de escrever sem um prontuário a dizer como é que era», agora «o hífen passou a ter regras claras», até porque basta ir ao Vocabulário Ortográfico, «disponível graciosamente», e «qualquer dúvida é imediatamente resolvida». Então não.

 

[Texto 1570]

Helder Guégués às 10:07 | favorito
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