A mesma — mas diferente

Em que se fala de línguas e orelhas

 

 

      «Há sempre uma espécie de distracção de fundo minha. Tenho pouco sentido do real. Curiosamente só percebi o que seria para mim terrífico quando me encontrei no Brasil. Ia com a ideia de fazer lá vida e depois percebi que sou tão europeu que não podia lá ficar. Por ilusão minha, porque quando fui para o Brasil pensava que ia para um país irmão, como se diz, sobretudo pela língua. Mas a língua, sendo a mesma coisa, é-o de maneira diferente» (Eduardo Lourenço entrevistado para o i por Maria Ramos Silva, ontem, p. 39).

      A minha filha, que tem 5 anos, também diz que é uma língua parecida com o português. Na sexta-feira, porém, já vinha do coro a cantar, com mil requebros na voz, parte de Saudades da Bahia. Acho que é melhor levá-la para o Coro de Santo Amaro de Oeiras. («De Orelhas», digo-lhe eu a brincar, mas o tal tradutor falou, a sério, dos «bonés de orelheiras».)

 

[Texto 1600]

Helder Guégués às 18:35 | comentar | favorito
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