Acordo Ortográfico

Mentiras e trapalhadas

 

 

      O Público continua, deliciado, a dar voz a todos quantos são contra o Acordo Ortográfico de 1990. Faz mal — sobretudo quando se trata de disparates. Foi o caso da carta de um leitor, João Fraga de Oliveira, de Santa Cruz da Trapa. A carta ocupa mais de metade da secção «Cartas à Directora», e termina assim: «Mas, até há dias, tinha ainda sobre o memorando uma preocupação acrescida, mais “adjectiva”: a tradução para português. Ora, agora, o memorando foi traduzido para português sob a “exclusiva responsabilidade do Governo” e este resolveu mandar às malvas a Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011 (um Governo a desobedecer ao Conselho de Ministros, uma delícia...) e não adoptou o famigerado Acordo Ortográfico. Estou finalmente relaxado e, mais, (re)ler o memorando é para mim uma delícia quotidiana.»

      É grave que o Público propine tão irresponsavelmente estas mentiras aos leitores. Eis o que se lê no n.º 1 da Resolução do Conselho de Ministros n.º 8/2011: «Determinar que, a partir de 1 de Janeiro de 2012, o Governo e todos os serviços, organismos e entidades sujeitos aos poderes de direcção, superintendência e tutela do Governo aplicam a grafia do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, aprovado pela Resolução da Assembleia da República n.º 26/91 e ratificado pelo Decreto do Presidente da República n.º 43/91, ambos de 23 de Agosto, em todos os actos, decisões, normas, orientações, documentos, edições, publicações, bens culturais ou quaisquer textos e comunicações, sejam internos ou externos, independentemente do suporte, bem como a todos aqueles que venham a ser objecto de revisão, reedição, reimpressão ou qualquer outra forma de modificação.»

      O Sr. João Fraga de Oliveira devia dedicar-se a um passatempo mais inócuo. Palavras cruzadas, por exemplo.

 

[Texto 164]

Helder Guégués às 08:13 | comentar | favorito
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