Sobre «papelinho»

O chapelinho dos norrenos

 

 

      Recentemente, alguém escreveu num motor de busca: «O diminutivo de papel.» Foi assim ter ao Assim Mesmo. (Por vezes, têm um discurso ainda mais articulado, como nesta pesquisa na semana passada: «A palavra “acepção” ao ler-se o p é referido ou lê-se aceção?». E já lá chegou isto: «Unidades de medida segundo Helder Guégués.» Não é curioso? Só falta pedirem por favor.) Não sei se a dúvida se prendia com a pronúncia se com a possibilidade do diminutivo. Lembrei-me então deste passo de Vasco Botelho de Amaral: «Todavia, o e tónico aberto nem sempre consegue manter, mesmo no Norte, a abertura do primitivo: papelpapelinho na bôca dos próprios norrenos; chapéu faz chapelinho (com a vogal muda). Nunca papèlinho nem chapèlinho. E também se emmudecem derivados como mala, malinha (não màlinha), etc.» (Meditações Críticas sobre a Língua Portuguesa, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Edições Gama, 1945, p. 262). «Norrenos», repararam? No Grande Dicionário da Língua Portuguesa, coordenado por José Pedro Machado, lê-se: «Norreno, adj. (do escandinavo norrana). O m. q. nórdico.» Deve ter sido para variar o léxico, pois Botelho de Amaral, neste texto («Pronúncias dialectais e outras»), também usa «tripeiros» e «nortistas». E mais: «Protesta-se nòrdicamente que pedrinha se confunde com Pedrinha, deminutivo de Pedra!...» (idem, ibidem, p. 261).

 

[Texto 16]

Helder Guégués às 08:37 | favorito
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