«Meia paralítica»

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      «Com as “bocas” e o “manzanilla”, de que vinham providos, nos fizemos “amigos”, e à saída o pai convidou-me a ir a sua casa, onde havia uma pequena “tertulia”, com música e dança, para entreter a mulher, meia paralítica» (Novelas Eróticas, M. Teixeira-Gomes. Lisboa: Portugália Editora, s/d [mas de 1961], 2.ª ed., p. 99).

      Montexto já aqui demonstrou mais de uma vez, recordar-se-ão, que, embora os advérbios sejam invariáveis, exemplos em tudo iguais ao do texto, a par do que hoje geralmente se tem por canónico, estão nos clássicos — onde decerto Teixeira-Gomes os foi beber. Qual o alcance, hoje em dia, dessa demonstração? Perante o seu uso, deliberado ou não, não devemos, pese a tentação, padronizá-los, actualizá-los. Muito menos, se podemos dizê-lo assim, em reedições. Evidentemente (mas nem todas as obras terão a sorte dos Fastos Geniais Tirados da Tumba de Merlim, não é, Fernando Venâncio?). Se o autor escreveu «meia paralítica», assim o devemos deixar.

 

 [Texto 1747] 

Helder Guégués às 22:57 | comentar | favorito
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