«Escritor fantasma»

Não resistir aos avanços

 

 

      «No seu livro In Command of History (2004), David Reynolds revelou a história por dentro da escrita das memórias de guerra de Churchill. A descoberta de que grande parte do texto foi escrita por um escritor fantasma ou de que era avaro com a verdade teve, curiosamente, pouco efeito na sua reputação: a construção de mitos contou, talvez, como um dos seus direitos como pessoa famosa» («A guerra fez de Churchill uma lenda e dos seus livros uma mina de ouro», Paul Addison. Tradução e adaptação de Cristina Queiroz, «Q.»/Diário de Notícias, 7.07.2012, p. 18).

      Sendo uma tradução, é de aplaudir que a tradutora tenha sabido resistir a ghost writer. Claro que estar no original um verbo também terá ajudado: «The discovery that much of the text was ghost written...» Não soube ou não quis, porém, resistir aos advances do original: «Os enormes avanços que obtinha dos editores eram despendidos na crença de que poderia sempre arranjar mais, se e quando o dinheiro acabasse, o que invariavelmente acontecia.» No mundo editorial, é o termo usado, mas como é acepção que nem sequer está nos melhores dicionários e há um termo sinónimo usual, não foi a melhor escolha.

 

 [Texto 1811]

Helder Guégués às 08:09 | comentar | favorito
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