O diagnóstico do AOLP90

Mais uma voz no deserto

 

 

      Mais uma carta aberta, desta vez do ex-cineasta, escritor e professor universitário António de Macedo, e está dirigida aos governantes de Angola e Moçambique. Eis os parágrafos finais: «Quando José Eduardo Agualusa (angolano) e Mia Couto (moçambicano) declaram a sua adesão ao AO90, será que sabem ao que é que estão a aderir? Ao modelo do AO90 para Portugal, ou ao modelo do AO90 para o Brasil?

      Perante estes dois modelos vigentes do AO90, escusado será dizer que a atitude correcta seria a suspensão imediata do Acordo, atendendo aos “estrangulamentos” e “constrangimentos” denunciados na Declaração Final da VII Reunião dos Ministros da Educação da CPLP (30 de Março de 2012), na qual se reconhece a necessidade de se proceder a um “diagnóstico” relativo a esses mesmos constrangimentos e estrangulamentos inevitáveis na aplicação do AO90.

      Em consequência, dirijo-me publicamente aos governantes de Angola e de Moçambique, e especialmente a estes dois pelas razões já invocadas, porque, caso venham a ratificar o AO90, vão ter de optar necessariamente por um dos dois modelos atrás referidos, com especial atenção às soluções que terão de encontrar na delicada área do ensino, a menos que se decidam por alguma forma de modelo misto, adequado a cada um dos países lusófonos, o que sem dúvida acarretaria mais confusos males do que bens.

      Pergunto por que se não aproveita, mui sensata e simplesmente, a porta deixada aberta pelos próprios ministros da Educação de todos os países da CPLP, e se suspende o Acordo até que os estudos do diagnóstico proposto estejam concluídos, deliberando-se então em conformidade?» («Carta Aberta aos Governos de Angola e de Moçambique», Público, 16.07.2012, p. 47).

 

 [Texto 1835] 

Helder Guégués às 08:26 | comentar | favorito
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