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Linguagista

«Modulação»? Ou «modelação»?

Serve sempre, se não se pensar

 

 

      E agora, por ter lido «modulação de voz», lembrei-me da crónica de Ferreira Fernandes na edição de hoje do Diário de Notícias. Ei-la:

      «Por estes dias demo-nos conta do nascimento de uma (enfim, duas) palavra oficial, rapidamente caída no goto de políticos, jornalistas e comentadores, tão nebulosa como devem ser as palavras oficiais mas, esta, com uma cândida confissão. Era tão sem nada para dizer que nem era uma, mas duas: ora modelação, ora modulação, e dizia-se uma delas ao calha. Uma ou outra foi dita por Passos Coelho quando, os acontecimentos obrigando-o a arrepiar caminho, ele afirmou que poderia mudar a sua proposta da TSU. Mas disse ele “modelação”? Isto é, tornear, ajustar... Ou ele disse “modulação”? Isto é, passar o canto ou a harmonia para um tom diferente... A primeira hipótese é verosímil, própria do jogo de cintura de qualquer político; mas a segunda também é, vinda de Passos Coelho, que não destoa ao cantar “chamava-se Nini/vestia de organdi”. O uso da palavra inócua não teria interesse, não fosse sindicalistas e políticos, na esteira do primeiro-ministro, passarem a citá-la como crucial. Tão decisiva que uns diziam “modelação” e outros “modulação”... E os jornalistas faziam-lhes eco, ora modelando, ora modulando. Paulo Pinto, professor da Universidade Católica, propôs no blogue Jugular uma palavra nova: “mudlar”, a síncope do “e” ou do “u” poupando-nos esta vergonha. Esta. Para as outras, nascidas do mesmo vício, fica a mezinha tradicional. De cada vez que falarmos, pôr esta dúvida: de que estamos a falar quando estamos a falar?» («Diz lá qualquer coisa que serve», p. 56).

 

 

[Texto 2134]

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