Sobre «racionamento»

Afinal é o mesmo

 

 

      «A polémica», disse a jornalista Ana Romeu no Jornal da Tarde de ontem, «gira à volta de uma palavra, “racionamento”, pouco adequada quando se quer explicar de que maneira deve ser gerida a despesa pública nos gastos com medicamentos e serviços de saúde. A ideia, afinal, é não desperdiçar.» Será mesmo pouco adequada? O presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) errou ao usá-la? Vejamos a definição que está no Dicionário Houaiss: «Distribuição ou venda controlada de certos víveres ou bens carentes, determinada pelas autoridades governamentais para assegurar uma distribuição mais justa entre os consumidores ou utilizadores.» Racionamento também é o acto ou efeito de racionar no sentido de distribuir a porção de alimento ou parte de bens essenciais de consumo que cabe a uma pessoa ou grupo numa situação fora do normal — alimentos em tempo de guerra, água em tempo de seca, etc. Esta última deve ser a acepção que o presidente do CNECV, Oliveira da Silva, designou, impropriamente, por «sentido coloquial e comum», com «uma carga negativa extremamente apreensiva». Logomaquia, ou mais uma tempestade num copo de água.

 

[Texto 2155]

Helder Guégués às 14:34 | favorito
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