«Preciso»

Parece invariável

 

 

      «Preciso. — Bons escritores cometem erros feios por falta de reflexão. Exemplo: “Para traduzir êsse poder de visão era-lhe preciso uma língua ágil e vibrante”.

      Correcto será: “Era-lhes precisa uma língua...”, assim como: “Para pregar o quadro na parede são-me precisos pregos e é-me preciso um martelo. Ao sapateiro são precisas tachas para pregar os tacões”. O adjectivo concorda com o substantivo em género e número, diz a gramática elementar; mas, como nas expressões é preciso trabalhar, é preciso viver (ou necessário, indispensável, etc.) parece invariável, esta aparência faz escorregar muita gente naquela incoerência» (Glossário de Incertezas, Novidades, Curiosidades da Língua Portuguesa, e também de Atrocidades da Nossa Escrita Actual, Agostinho de Campos. Lisboa: Livraria Bertrand, 1938, p. 249).

 

[Texto 2218]

Helder Guégués às 07:51 | comentar | favorito
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