«No Sabugal»

E todavia

 

 

      «Havia uma palavra que o fascinava. Talvez pela suavidade do som, porque nos poetas o vocábulo é sua forma de música. Palavra, à primeira vista, aparentemente banal, comum, vazia por dentro, sem ramos como a palavra “árvore” tem. A palavra que Manuel António Pina afagava, como se fosse um dos seus imensos gatos, era “todavia”» («Poeta e cronista da palavra original e irreverente», Francisco Mangas, Diário de Notícias, 20.10.2012, p. 38). E é uma boa palavra, pois com certeza. Todavia, nos tempos que correm, a preferência vai para «porém».

      E depois: «Com outras palavras, com a mesma singeleza, lega-nos uma obra múltipla e admirável. “A poesia vai acabar”, escreveu um dia, os poetas deviam ocupar “lugares mais úteis”. [...] Manuel António Pina nasceu em Sabugal, a 18 de novembro de 1943» (idem, ibidem). Sempre ouvi — e a quem mora por ali perto — «o Sabugal», «no Sabugal», etc. A última vez foi no dia 6 do corrente, em Belmonte.

 

[Texto 2226]

Helder Guégués às 22:14 | comentar | favorito
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