Plural de «igualzinho»

Até prova em contrário

 

 

      «Por azar, nem o sr. Mendes nem a gente fixe em geral explica o que julgam restar do país depois de lixada a troika. Talvez imaginem uma folia permanente, na qual uma minoria convencida do seu esclarecimento usa o dinheiro da ralé para obter os privilégios que a ralé não alcança e não compreende. Ou seja, o costume. Não admira que a “cultura” à portuguesa viva agarrada ao Estado: no fundo, são igualzinhos» («Gente fixe», Alberto Gonçalves, Diário de Notícias, 21.10.2012, p. 55).

      Aqui, o sociólogo espalhou-se ao comprido. Ali onde está um l devia estar um i: iguaizinhos. Tanto quanto sei, o plural dos diminutivos faz-se juntando os sufixos -zinho ou -zito no plural às formas do plural das respectivas palavras primitivas, depois de suprimido o final. Iguaizinhos, como animaizinhos, como jornaizinhos... Até parece que já estou a ver o comentário da Rainha das Palavras: «Pois, muito bem. E o que fazer quando o VOP, o vocabulário ortográfico oficializado em Portugal, regista “igualzinhos”? E esta, hein?» E não pode pensar pela sua régia cabeça? Compreender o que está bem e o que está mal?

      «Rubião pôs a cabeça de fora, recolheu-a e ficou a ouvir os cavalos das ordenanças, tão iguaizinhos, tão distintos, apesar do estrépito dos outros animais. Era tal a tensão do espírito do nosso amigo, que ainda os ouvia, quando já a distância não permitia audiência. Catrapus... catrapus... catrapus...» (Quincas Borba, Machado de Assis).


[Texto 2233] 

Helder Guégués às 13:21 | comentar | favorito
Etiquetas: