«Concurso deserto»

Inóspitos

 

 

      «Na notícia publicada anteontem (edição de Lisboa) sobre a atribuição de relógios de ouro a funcionários da Câmara de Almada com 25 anos de casa escreveu-se, erradamente, que o assessor de imprensa do município afirmou ter descido, de 2010 para 2011, o investimento com aquela iniciativa. O que o porta-voz camarário informou foi que o preço-base dos concursos públicos lançados nesses dois anos para comprar os relógios, que ficaram desertos, obrigando ao recurso a ajustes directos, desceu do ano passado para este. Ao contrário do que foi escrito, o BE não esteve presente na entrega dos relógios aos trabalhadores» («O Público errou», Público, 1.07.2011, p. 36).

      Ainda me lembro de na notícia citada ter sido empregada a expressão «concurso deserto». Aqui, porém, substantivo e adjectivo aparecem separados, o que torna ainda mais difícil a sua compreensão. Poderão contrapor-me que intuitivamente os leitores chegam lá. Não sei. Quanto aos dicionários, o que vemos é que, no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o verbete «deserto» não contém nenhuma acepção remotamente jurídica. E este é o dicionário mais usado em Portugal. O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, por sua vez, a única acepção jurídica que regista é a seguinte: «Não reclamado (pelo recorrente, para seguir seus termos) no prazo legal.» Diz-se concurso deserto daquele a que se não apresentaram concorrentes.

 

 [Texto 241]

Helder Guégués às 19:01 | comentar | favorito | partilhar
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