Linguagem

Nova maioria

 

     

      «A aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 (AO) em Portugal não é compaginável com os nobres objectivos do Governo em matéria educativa, como qualquer pessoa dotada de inteligência média, bom senso e sólida formação académica, e que tenha lido com atenção o AO, constatará» («O desgoverno da língua portuguesa», António Emiliano, Público, 1.07.2011, p. 34).

      Não está, é claro, a falar de muita gente — «qualquer pessoa dotada de inteligência média, bom senso e sólida formação académica» —, o que tira logo alcance à conclusão. Mas não é disto que pretendo tratar agora. Compaginável. Ainda me lembro de, quando José Sócrates, que tem uma grande predilecção por este vocábulo, o usou, a minha mulher me ter dito que o desconhecia. Bem, ainda hoje não está registado nos dicionários que aqui costumo citar. Agora, porém, temos nova maioria, e, segundo me disseram ontem, fala de uma forma nova. Bem, nova... À Estado Novo: o presidente da bancada parlamentar do PSD usou a expressão «este acto simples e singelo». Não há-de ser nada de sintomático, esperemos.

 

[Texto 243]

Helder Guégués às 19:57 | comentar | favorito | partilhar
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