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Linguagista

O audacioso «acordo ortográfico»

O pouco e mal que escrevem

 

 

      «Só que os portugueses, quando não conseguem pagar as contas, pensam imediatamente em conquistar um império, de preferência o império que perderam. E, como são modestos, pensaram logo no Brasil. O nosso alto comando congeminou logo uma estratégia irresistível: importar para Portugal a ortografia brasileira. No momento em que os portugueses escrevessem (o pouco e mal que escrevem) sem consoantes mudas, o Brasil não podia deixar de se render, com uma saudade arrependida e desculpas rasteiras. Mas, como a humanidade é má, em particular no hemisfério sul, o Brasil terminantemente recusou o nosso audacioso “acordo ortográfico” e deixou Portugal sem consoantes mudas, pendurado numa fantasia ridícula e sem a menor ideia de como vai sair deste sarilho: um estado, de resto, habitual» («Histórias portuguesas», Vasco Pulido Valente, Público, 11.01.2013, p. 52).

 

[Texto 2499] 

2 comentários

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    Paulo Araujo 11.01.2013 17:51

    Foi uma cortesia, afinal o assunto é fruto de um acordo; necessidade não é, porque aqui as alterações não causaram trauma.
       Só que essa cortesia feita agora, não explicada nem justificável, desarruma aqui o que já estava arrumado, pois lança dúvidas. Mas assim labuta nosso (des)governo, aos trancos e barrancos, indeciso até à última hora e atabalhoado, pois devia ter pensado ab ovo que o ideal seria todos começarem à uma.
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