Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Linguagista

«Concepção» e «conceptual»

Cale-se, menino 

 

 

      Nuno Pacheco continua a tratar o tema (em que é, escreveu-o aqui Fernando Venâncio, «um diletante») do Acordo Ortográfico e a destratar, de vez em quando, a inteligência dos leitores. No seu texto de hoje no Público, dedica-se a um exercício inútil de previsão de como se falará, «com o passar do tempo, porque a ortografia serve a fonética», em plena aplicação das novas regras ortográficas. A propósito de «duas doutas meninas» que apareceram na televisão, pôs-se também na pele das «pequenas feras», os alunos daquelas, que um dia lhes perguntarão, implacáveis: «“S’tora, porque é que quem nasce no Egito se chama egípcio e não egitiano?” Ou: “Porque é que eu escrevo concessão e leio concessão e escrevo conceção e leio concéção? E porque é que temos de escrever conceptual se conceção [a palavra mãe] não tem p?”» («Já falou acordês hoje?», Nuno Pacheco, «P2»/Público, 4.07.2011, p. 3).

      Bem — vamos ser coerentes —, mesmo antes, já as pequenas feras teriam as mesmas dúvidas. Neste caso, até parece que o AO veio introduzir alguma lógica e regra: não se lê, não se escreve. Mas sobre esta questão da relação entre primitivas e derivadas no aspecto fonológico já escrevi mais de uma vez. Confusões. Confusos também poderão ficar os leitores do Público com a expressão «palavra mãe». Nuno Pacheco queria escrever «palavra primitiva», que é aquela que não provém de outra dentro da língua portuguesa. «Concepção», por exemplo. E «conceptual», pelo menos para mim, que não — oh! — para o Dicionário Houaiss, se interpreto bem o verbete.

 

[Texto 253]

 

7 comentários

Comentar post