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Linguagista

Como se escreve nos jornais

Oh, vergonha!

 

 

      «Fundado em Março por Jean-Sebástian Ferjou, ex-jornalista da LCI e da TF1, o site Atlantico.fr já teve duas caixas sobre DSK. A primeira foi a fotografia do Porsche, a segunda foi a do relatório policial que dizia que tipo de provas havia no Sofitel» («‘Site’ das manchetes anti-Strauss-Kahn», Diário de Notícias, 18.05.2011, p. 2).

      Parece mentira, e por isso mesmo cito aqui este trecho. É um texto secundário, ao lado de outro, «DSK pode alegar que sexo teve consentimento da empregada» (isto é o jornalista a tentar conduzir a defesa), assinado por Patrícia Viegas. O textinho não está assinado, e tanto pode ser da autoria daquela jornalista como não. Será, isso decerto, de um jornalista e não de uma camareira. Nem por pertencer à gíria jornalística acertaram. Cacha é o nome que os jornalistas dão à manchete em primeira mão. O mesmo que furo. Ambas registadas no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, pelo contrário, não regista nenhuma. Ah, esperem: regista «furos», no plural! «Gír. Surpresa, notícia dada em primeira mão.» Que surpresa. Bem, amanhã já têm que fazer. Quanto ao jornalista que escreveu «caixas» em vez de «cachas», precisava de ser castigado. Uma semana em Rikers Island, talvez.

 

 [Texto 27]

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