Ensino

MEC já não desburrifica

 

 

      O Ministério da Educação e Cultura (MEC) brasileiro distribuiu recentemente por 484 195 alunos de 4236 escolas um livro didáctico, Por uma Vida Melhor, da «Colecção Viver, Aprender», em que se defende que não há certo e errado e sim adequado e inadequado. (Onde é que eu já ouvi isto?) Na oralidade, ensina, não há necessidade de se seguir a norma culta para a regra da concordância. Assim, exemplifica, tão correcto é dizer «os livros ilustrados mais interessantes estão emprestados» como «os livro ilustrado mais interessante estão emprestado» — só «o fato de haver a palavra os (plural) já indica que se trata de mais de um livro». Apenas há um senão, avisa candidamente a autora: ao usar o nível de língua popular, a chamada «língua viva», o estudante poderá ser vítima de «preconceito linguístico». Aos professores é que este novo entendimento deve ser conveniente: está tudo correcto, não precisam de se incomodar a corrigir. Nada há para corrigir. Há quem diga que é a marca que o Supremo Apedeuta quis deixar à potência emergente. Podemos, Portugueses, dar-nos por felizes: este completo descalabro ainda não chegou cá.

 

[Texto 28]

Helder Guégués às 08:32 | comentar | favorito | partilhar
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