Sobre «isolacionismo»

Está ligado, mas não é o mesmo

 

 

      «O candidato oficial desta vez é Saeed Jalili, o chefe dos negociadores iranianos para o nuclear e partidário do isolacionismo e da rota do regresso ao purismo dos princípios da Revolução Islâmica» («Governo iraniano pediu ao povo para ir votar contra o “inimigo”», Público, 15.06.2013, p. 23).

      O problema, mais uma vez, está nos dicionários. Ora queiram ver. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora regista o termo e define-o assim: «doutrina política de não ingerência na política de outros países». Não me parece. Para o Dicionário Houaiss, é a «doutrina que preconiza o isolamento de um país do cenário internacional, mediante recusa a formar alianças, assumir compromissos económicos externos e assinar acordos bilaterais». E agora a definição no Trésor de la Langue Française: «Doctrine, politique d’isolement d’une nation et, particulièrement, des États-Unis à l’égard de l’Europe à certains moments de son histoire.» Claro que um país que prossiga uma política isolacionista é, ao mesmo tempo, um empenhado adepto da não ingerência.

 

[Texto 2976]

Helder Guégués às 09:59 | favorito
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