Economia: «core Tier 1»

De ir às lágrimas

 

 

      A falta de coerência, de uniformidade, deixa-me sempre muito abalado. É qualquer coisa de congenial, agravado, decerto, pela actividade. Deformação profissional, se quiserem. Falemos, por exemplo, da expressão inglesa do âmbito da economia core Tier 1. No Diário de Notícias, tenho visto de tudo: Core Tier 1, core tier 1, etc. «Já a olhar para a frente, o administrador do BCP referiu que o banco deverá conseguir atingir um core tier 1 de 10% com “seis meses de antecedência em relação ao final de 2012”. O BCP espera conseguir atingir esse valor sem necessidade de recorrer “mais ao aumento de capital em dinheiro e sem fundos públicos”» («BCP atinge ‘core tier 1’ de 9% com aumento de capital», Bárbara Barroso, Diário de Notícias, 17.05.2011, p. 34).

      Ontem, vi algo pior, mas que, em rigor, não conta, pois o artigo ainda não tinha sido revisto: um jornalista, especializado em questões económicas, escreveu «core Tear I». É quase assim, respondeu, a rir, o director. «O numeral deve, na verdade, ser romano.» Será mesmo assim? Estive a pesquisar a imprensa anglo-saxónica, por uma vez a que interessa para dilucidar a questão. Predomina, parece-me, «core Tier one». Quando o numeral não está escrito por extenso, a questão que mais importava, é o algarismo árabe que se usa, como vejo no melhor jornal do mundo (dizem; disse-o ontem Ferreira Fernandes na sua crónica no Diário de Notícias), o The New York Times: core Tier 1. Pode a questão não estar resolvida, mas está bem encaminhada: temos uma referência.

 

[Texto 30]

Helder Guégués às 11:21 | favorito
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