No francês depara-se-nos muitíssimo mais (occire). Não excluo que venha daí agora esta lembrança...
Talvez se encontre em textos arcaicos. Tenho pelo menos a vaga impressão de ter topado com isso ou algo parecido em crestomatias...
Jamais vi essa expressão; nenhum dicionário brasileiro a registra, seja como verbo, seja nome. No caso desse decreto, aqui se escreveria 'sacrificar os animais'. Parece menos... mortal, mais
"humano".
Paulo Araujo a 7 de Agosto de 2013 às 23:29
Fui ver e percebi: «Coleção de trechos escolhidos em autores clássicos. = ANTOLOGIA, SELETA»
Valha-nos Santa Erudição, defensora dos ignorantes!
comum dos mortais a 8 de Agosto de 2013 às 15:10
este comentário era a propósito de "crestomatias"
comum dos mortais a 8 de Agosto de 2013 às 21:12
Não vale a pena esforçarem-se. Hoje aprendem, amanhã esquecem: é a sina do comum dos mortais, de que sempre 'houveram' e 'têm havido' muitos, e cada vez 'haverão' mais -- para escrever como eles, a ver se não estranham nem precisam de ir ao dicionário.
Este termo preocupa também os profissionais cuja atividade o decreto-lei em questão regula, porque não é um termo que usamos, e estamos um pouco como o autor aqui perante o termo: "é matar, não há duvida, mas". Chegamos a contactar a autoridade competente (DGAV) diretamente na altura de revisão da tradução da diretiva que este decreto-lei transpõe, e alertar pelo problema de usar na legislação um termo que ninguém usa no terreno, mas não obtivemos resposta.
No post não revela o que os dicionários dizem sobre o termo ocissão . Trata-se de, como aparentamente em castelhano, uma morte violenta? Isto é tudo menos do que se ambiciona proporcionar os animais: por muito perturbador que é o acto de tirar a vida, pretende-se que seja mais calmo e menos doloroso possível.
Tem razão. Muitas vezes, os profissionais que lidam com animais de experiência usam o termo eutanasiar que é exatamente o que Anna Olsson - matá-los para evitar que sofram ou de modo a que não sofram. Occisar ninguém usa.
É, mais uma vez, o Legislador a fugir com o rabo à seringa. O politicamente "correto" no seu pior.
R.A. a 27 de Agosto de 2013 às 17:01
»Ocissão» não conheço, nem se me afigura que algum texto arcaico ou moderno conheça.
O legislador quis mui simplesmente, lá na sua, que é a do politicamente correcto à fina força, fugir e disfarçar a voz «matar», politicamente incorrectíssima, sem curar de saber de raiz no que se metia.
Por nós, nada contra, porquanto se espanejou -- esventolou, ah! -- uma palavrinha pulverulenta.
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Mas por aqui muito nos esgargalhámos e esgargalhamos (como fica isto com o não menos hílare AO?)com o legislador, sempre augusto, e agora ainda mais com os que lhe telefonam por causa do estilo.
Apesar de tudo, a modernidade lá nos vai indemnizando com estas.
Montexto a 27 de Agosto de 2013 às 12:49
«Pois bem, a morte, sobretudo a que é causada por outrem, a occisão [occisión], é ou deveria ser sempre coisa terrorífica» (Sobre a Caça e os Touros, José Ortega y Gasset. Tradução de José Bento. Lisboa: Edições Cotovia, 2004, 2.ª ed., p. 66).
«Eutanasiar»! Quase soa a «anestesiar». Sim, muito melhor. Mais suave, mais brando. Muito distinto. Elegante. Moderno até mais não. Ia propor «adormecer indefinidamente», mas já nem vale a pena.
Sugiro que comecem tb a «eutanasiar» os frangos do aviário e outras criaturas da mesma sorte. «Abater» é muito duro. E sobretudo explícito.
Montexto a 27 de Agosto de 2013 às 19:37
P.S. - E que se reveja e edulcore a traducção do livro de H. McCoy para «Os Cavalos também Se Eutanasiam».
Montexto a 27 de Agosto de 2013 às 20:08
Não! Mude-se antes para "Os cavalos também se occisam".
R.A. a 28 de Agosto de 2013 às 09:41
Por sugestão minha, o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora já regista o vocábulo «occisar».
. Ahora bien, la muerte, sobre todo la producida, la occisión, es o debiera ser siempre cosa terrorífica - 67.
. la muerte es esencial porque sin ella no hay auténtica cacería; la occisión del bicho es el término natural de ésta y su finalidad - 77.
Ortega, «Sobre la caza, los toros y el toreo», 1999.
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Essa tendência dos dic. segue a teoria do funil do da glote, 'mutatis mutandis'.
Montexto a 29 de Janeiro de 2014 às 13:51
Esta é bem mais rara que «escol» em português. Estava reservada para o betinho da língua castelhana Ortega.
Montexto a 29 de Janeiro de 2014 às 14:09
Acabei de ver o verbo «biopsar». Desconhecia.
Evidentemente. É mais um exemplo da língua de pau ou a martelo. Tudo é susceptível de ajoujos no princípio ou no fim, independentemente do modo nomal e correntio de as pessoas de exprimirem, e da necessidade dos ditos penduricalhos à cabeça ou no coice das pobres palavrinhas.
Desde algum tempo esta mania grassa grossa e grosseira; pulam e pululam os Joyces, Guimarães Rosas, Célines e Mias Coutos de meia tigela.
Faz-me lembrar isto de Stendhal a Sainte-Beuve, em carta de 21.12.1834: Si vous voyez M. Magnin et que vous n’ayez rien de mieux à dire, rappelez-moi à son souvenir. Mais demandez-lui pourquoi il invente progresse et fait usage de hiératique et autres mots grecs que Dieu confond ! Il faut laisser ces pauvres ressources a ces hommes de génie qui n’ont pas une idée.
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Regra: ordinariamente, quanto menos uma criatura sabe a sua língua, mais necessidade sente de inventar palavras.