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Linguagista

Como o indígena ignorante

A atracção das aspas

 

 

      Já por duas ou três vezes critiquei o uso excessivo das aspas nos textos de Vasco Pulido Valente. Com algumas intermitências, nada melhorou. A intenção, a ideia (tratando-se de Vasco Pulido Valente, tinha de haver uma ideia) é dar a entender que o indígena é que se exprime daquela maneira — que ele usa apenas para se fazer compreender, porque afinal está a escrever para o indígena ignorante. Por vezes, porém, como na crónica publicada hoje, a intenção não é essa, simplesmente escreve como o indígena ignorante. «O jornal Expresso, em homenagem ao seu proprietário, resolveu este mês publicar uma sequela de Os Maias, que, como o nome indica, é uma continuação da história de Carlos da Maia e de João da Ega, a partir do momento que eles correm atrás do “americano” para não chegarem tarde a um jantar de amigos» («A atracção da asneira», Público, 17.08.2013, p. 44).

 

  [Texto 3187]

3 comentários

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    venancio 18.08.2013 08:06

    O Montexto conhece algum uso de reticências em Vieira?
  • Sem imagem de perfil

    Montexto 18.08.2013 11:31

    E, por ex., sermões do 1.º domingo do Advento sobre Lucas, 21,27, um, e 21, 23 outro.

    Receio um estudo sobre as reticências em Vieira, como já Alçada Baptista outro sobre a vírgula em Baudelaire.

    É o que Cardoso Pires taxava de erudição monossilábica.

    Bom proveito.   

     

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