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Linguagista

Ortografia: «maoista»

Desconversar é fácil

 

 

      «Bo Xilai, um dos “príncipes vermelhos” do PCC — como são conhecidos os filhos da primeira geração de dirigentes maoísta —, é acusado de corrupção, abuso de poder e de receber subornos. [...] Bo Xilai, de 64 anos, tornou-se muito popular por causa das suas campanhas contra o crime organizado, em defesa dos pobres e recriando o regresso a um culto maoísta que, apesar dos estragos, torturas e mortes dos anos da Revolução Cultural, tem ganhado força nos últimos anos» («Bo Xilai desafia o tribunal, no que se aposta ser um julgamento encenado», Clara Barata, Público, 23.08.2013, p. 25).

      Até o livro de estilo do Público recorda a regra: «Não são acentuadas quando o i e u são precedidos de ditongo: saia, baiuca, maoismo, tauismo.» Eu bem me lembro de já aqui ter tratado deste caso — também no Público. Na altura, uma leitora, que tanto podia ser a jornalista do Público autora do texto como não, respondeu: «Eu não pronuncio «ao» como ditongo, neste vocábulo (aliás, os casos em que a sequência «ao» é considerada ditongo são excepcionais, cf. Base VII, 1, AO 90). Logo, para marcar o hiato, recorro ao acento agudo.» Logo, nem sequer devia invocar o Acordo Ortográfico de 1990. 

 

  [Texto 3227]

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