«A partir de»

Porque dá que pensar

 

 

      Há pessoas que, vá-se lá saber porquê, ficam sempre irritadas com estas estatísticas, mas cá vai, afoitamente: num texto de pouco mais de 200 páginas, encontrei 183 vezes a expressão «a partir de». É muito, é pouco? Bem, na maioria das vezes, foi possível alterar para melhor. Agora vejam aí num dicionário, pode ser no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «a partir de: de … em diante». Nada mais. Ora, as ocorrências da expressão naquele texto repartem-se igualmente pelas três acepções que encontramos num bom dicionário de francês: «a) en prenant pour point de départ (un lieu); b) à compter de, à dater de (un moment dans le temps); c) en prenant comme origine; d) en prenant comme origine logique». Não chegamos a ser mais Franceses do que os Franceses, mas ultrapassamos e bem tudo o que os nossos dicionários admitem. Mesmo tendo em consideração os erros e as falhas que encontramos (eu encontro) todos os dias nos dicionários, é obra. Pensem nisto.

 

  [Texto 3296]

Helder Guégués às 11:00 | comentar | favorito
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