«Conforme»

Só à medida

 

 

  1. «Jorge não sabia que ripostar. Conforme se aproximava a hora da partida, Maria menos afastava os olhos dele, observando-o com atenção — como se bebesse antecipadamente, prevendo que ia ter sede» (p. 84).
  2. «E, conforme falava, ela tinha a certeza de que as suas palavras indispunham o convidado mais e mais contra Maria» (p. 108).
  3. «Conforme ia enumerando os motivos que tinha um rapaz de vinte anos para amar a vida, Teresa recuperava pouco a pouco o tom de ironia: Jorge apurou então o ouvido e ergueu o rosto ávido e triste» (p. 121).
  4. «– Até à distribuição dos prémios, tornei-me mais irritado e duro conforme o via mais triste» (p. 127).

      São os quatro exemplos da obra O Fim da Noite, de François Mauriac, com tradução de Cabral do Nascimento (Lisboa: Estúdios Cor, 1957). Hoje, já se sabe que nem um «conforme» ali estaria naquelas frases. É triste ver-se assim a língua a afunilar, a empobrecer. Bela história, este O Fim da Noite. Agora vou ler a primeira parte, Teresa Desqueyroux, na tradução publicada dois anos antes também pelos Estúdios Cor.

 

  [Texto 3320]

Helder Guégués às 11:35 | favorito
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