«Ex aequo»

Já que falam nisso

 

 

      Outra pesquisa compostinha num motor de busca: «In loco ou in locum?» Bem, depende, não é? É o pretexto que esperava para tratar de uma questão que precisa ser esclarecida. Nas últimas semanas, tenho andado a ler com desusada frequência uma latinada: exequo. O contexto de hoje era um concurso de pintura e os finalistas foram vencedores, escreveu o jornalista, «em exequo». A expressão é composta pela preposição ex, que indica procedência, origem, e pelo adjectivo aequus, no caso ablativo. Também não se usa somente, como já li, quando se trata de dois jogadores ou atletas ou vencedores. Esse é outro disparate. Também não precisa de ser acolitada por uma preposição portuguesa. Para os menos sabedores e os menos atentos, o Livro de Estilo do Público acrescenta uma prevenção: «“ex aequo” — Expressão latina, entre aspas e sem hífen (não há hífens em latim), que significa “com igual mérito”.»

      «Não se inclinando para a atribuição do Prémio Antero de Quental, ex aequo, que teria prejudicado materialmente os dois vencedores, enobreceu-se o galardão com a dupla recompensa» (História de Portugal: do 28 de Maio ao Estado Novo (1926–1935), Joaquim Veríssimo Serrão. Lisboa: Editorial Verbo,  p. 514).

 

[Texto 33]

 

Helder Guégués às 00:06 | comentar | favorito | partilhar
Etiquetas: