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Linguagista

«Envenenado até à morte»

Jornalistês

 

 

      A. M. Pires Cabral anunciou no Facebook — disseram-me, porque eu não frequento essas paragens — a sua próxima obra, Língua Charra, Regionalismos de Trás-os-Montes e Alto Douro (Âncora Editora, 2013), onde também deixou esta nota:

      «JORNALISTÊS
      Oiço na Antena 1 uma jornalista dizer, aparentemente sem arrepios de consciência, que Yasser Arafat “foi envenenado até à morte”. As maldades que estes jornalistas e tradutores apressados estão ao fazer ao Português! Recebem um despacho em inglês de uma qualquer agência noticiosa internacional, onde lêem que “Mr. Arafat was poisoned to death”, e nem param um minuto a pensar. Toca a traduzirem para jornalistês: “envenenado até à morte”. Dá impressão que, até morrer, o pobre Arafat foi sendo envenenado metodicamente, dia após dia, e só deixaram de o envenenar quando morreu. Já tínhamos o “espancado até à morte”, o “esfaqueado até à morte” e outros mimos que tais. Não seria muito melhor Português dizer “morto por envenenamento”, etc.? Pois era; mas para isso os jornalistas tinham de falar Português, e não jornalistês. E tinham que prestar culto à língua portuguesa, e não preito de submissão à língua inglesa.»

 

  [Texto 3485] 

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