Sobre «hã»

Mais do que um espirro

 

 

      «“Hã?” em português, “huh?” em inglês, “hein?” em francês, “eh?” em espanhol. Estas palavras simples, curtas, que saem da boca sem esforço, interrogando logo ali o interlocutor e pedindo-lhe para repetir o que disse, são estranhamente parecidas. Um estudo publicado online na revista de acesso livre PLoS ONE mostra que existem na realidade inúmeros pequenos vocábulos semelhantes nas línguas humanas. [...] “Hã?” e as suas congéneres são tão excepcionais na sua uniformidade que os cientistas quiseram demonstrar que são palavras “a sério” — e não apenas “ruídos” inatos, tais como os espirros ou o choro. Uma cuidada análise fonética revelou então, explica um comunicado do Instituto Max Planck, que elas são de facto palavras porque precisam de ser aprendidas em cada língua. A prova disso, argumentam os investigadores, é que os nossos “primos” mais próximos, os chimpanzés, não emitem nenhum som desse género, os bebés também não usam essas interjeições e que as crianças só começam a usar bem o “hã?” ou afins mais ou menos a partir dos cinco anos, quando já dominam as principais estruturas gramaticais da sua língua. Para os autores, só faz sentido ter uma palavra destas, tão especializada na clarificação da compreensão, quando já existe um sistema de comunicação como a linguagem» («“Hã?”: uma palavrinha curta, simples e quase igual em todas as línguas», Ana Gerschenfeld, Público, 25.11.2013, p. 25).


   [Texto 3579] 

Helder Guégués às 11:22 | comentar | favorito
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