Acordo Ortográfico

Pois parece

 

 

      Fernando dos Santos Neves, criador da primeira licenciatura portuguesa de Ciência Política, tem na edição de hoje do Público as «Onze Teses contra os inimigos do Acordo Ortográfico». Eis a segunda «tese»: «O “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” quer ser isso mesmo e nada mais: um acordo sobre a ortografia e não um acordo sobre o vocabulário, a sintaxe, a pronúncia, a literatura e tudo o resto (que é, indubitavelmente, o mais importante) que constitui uma língua viva e, ainda por cima, uma língua potencialmente universal como a língua portuguesa e até uma das pouquíssimas línguas potencialmente universais do século XXI, como já Fernando Pessoa anteviu nos princípios do século XX.»

     Parece mentira, mas há quem — mesmo professores, a um mês de terem de ensinar a nova ortografia — não saiba isto. Claro que, ao contrário do que parece decorrer do texto, não é isso, ser «meramente» um acordo ortográfico, que o torna inócuo. E por mentiras: afirmar-se que vai contribuir para a unificação da língua portuguesa é uma grande mentira, que só o tempo, e não será decerto o nosso, vai desmascarar.

 

[Texto 382]

 

Helder Guégués às 09:49 | favorito
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