Ortografia: «brasuca»

Oi, moço!

 

 

      «Entre o português do Brasil e o
de Portugal abundam, como
é sabido, as diferenças entre expressões e palavras, sobretudo na oralidade. E não há acordo ortográfico que possa impedi-lo. Se a língua de Camões é a grande referência, precisamos de saber conjugar o cânone clássico com a criatividade inventiva das suas múltiplas pronúncias e usos (na Europa, em África ou no Brasil), em vez de tentar impor um padrão único a todos os seus falantes. Ao longo de um ano em que deambulei pelo Brasil, deparei-me com múltiplas situações dúbias relacionadas com as nuances da nossa língua comum. Seja pela diferente sonoridade das falas, seja pelo recurso a formulações estranhas para um brasileiro, somos muitas vezes confrontados com a súbita interjeição: “Oi?...”, que quer dizer: “O que é que você falou?”, “não percebi nada!”. A referência à língua e aos “sutaquis” de ambos os lados do Atlântico é o pretexto para ilustrar as “desventuras” de um “indígena” do Alentejo quando, mergulhado em atmosferas tropicais, faz uso de uma linguagem coloquial com o som “lá da terrinha” (como eles dizem). E o mesmo pode ser dito a propósito de um “brazuca” quando viaja por Portugal em busca das suas raízes lusitanas» («Português com sotaque», Elísio Estanque, Público, 11.01.2014, p. 47).

      «Brazuca» há-de ser, caro Elísio Estanque, do Brazil; do Brasil é, e até está nos dicionários, «brasuca».

 

  [Texto 3833]

Helder Guégués às 09:43 | favorito
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