26
Fev 18

«Tampa deslizante»

Deslize, deslizante

 

      «A HMD, dona da marca Nokia, deu no domingo mais um passo na recuperação de um dos ícones da marca, ao relançar o modelo 8110, aquele da capa deslizante utilizado por Neo para tentar fugir do agente Smith» («O regresso do telemóvel do filme Matrix, agora apelidado de banana phone», Jorge Garcia, TSF, 26.02.2018, 18h59).

      Bonito telemóvel, sim senhor, já aqui têm um cliente (para oferecer). E a autonomia? Agora vai ter algumas aplicações. Não me parece é que tenha «capa deslizante», mas «tampa deslizante». Há-de ser má tradução de sliding cover, mas cover não é só «cobertura», mas também «tampa», «tampo», etc.

 

[Texto 8814]

Helder Guégués às 23:41 | comentar | favorito
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23
Fev 18

«Put oneself in else’s shoes»

Nem pés nem sapatos: cabeça

 

      Pareço o Emplastro: um português qualquer diz um disparate, e lá estou eu por detrás do fautor. No Portugal em Directo, da Antena 1, Mário Galego foi falar com Alexandre Monteiro, arqueólogo e coordenador do Centro de Arqueologia Náutica do Alentejo Litoral, com sede em Alcácer do Sal. A propósito da descoberta de um biberão... — biberão não, porra, que é galicismo — uma mamadeira, assim é que é, enterrada com um bebé numa sepultura romana, disse o arqueólogo: «Nós aqui nas reservas de Alcácer do Sal temos um biberão romano e quando sabemos que esse biberão foi enterrado juntamente com um bebé que morreu quando tinha cerca de quatro meses de idade, nós conseguimos, se formos pais, pôr-nos nos pés daquela família que resolveu enterrar o bebé com o biberão.» Algum revisor manhoso lhe terá dito certo dia que não se diz «pôr-se nos sapatos dos outros» (como fazem alguns tradutores...), mas sem lhe explicar que não se trocam os sapatos pelos pés. Idiomatismo por idiomatismo: os Ingleses põem-se nos sapatos dos outros; nós, ou nos pomos no lugar ou na pele dos outros.

 

[Texto 8799]

Helder Guégués às 18:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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22
Fev 18

Rússia, Federação da Rússia

Deixou-se ir; pensemos nós

 

      «Na noite de 22 de fevereiro de 2014, os homens mais poderosos da Rússia reuniram-se no Kremlin e decidiram a anexação da Crimeia. [...] Putin anexou formalmente a Crimeia à Federação Russa no dia 18 de março de 2014» («Crimeia», Boris Johnson, Diário de Notícias, 22.02.2018, p. 38).

      O tradutor foi atrás da língua de partida, simplesmente: «On the night of 22 February 2014, the most powerful men in Russia gathered in the Kremlin and resolved to seize Crimea from Ukraine. [...] Mr Putin formally annexed Crimea into the Russian Federation on 18 March 2014.» Sim, correntemente, Rússia; formalmente, Federação da Rússia. Mas isso depende das línguas. Uma boa forma de o ver é no nome das embaixadas em vários países: Ambassade de La Fédération de Russie en France; Embajada de la Federación de Rusia en el Reino de España; Botschaft der Russischen Föderation; Ambasciata della Federazione Russa nella Repubblica Italiana; Embaixada da Federação da Rússia na República Portuguesa.

 

[Texto 8790]

Helder Guégués às 21:18 | comentar | favorito
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19
Fev 18

Tradução: «equerry»

Sou todo ouvidos

 

      «The Queen has picked the first black man to hold the role of equerry, one of the most important positions in the royal household» («Queen picks the first black equerry: Ghanaian-born officer will be the most visible man by Her Majesty’s side as Prince Philip’s retirement looms», Alice Evans, Mail, 9.07.2017, 22h00).

      Uma coisa é saber o que significa, outra, bem diferente, é encontrar a melhor tradução. Equerry é então um funcionário da Casa Real britânica. Estão aqui a sugerir-me que se traduza por «assessor», mas não me convence. Traduzimo-lo por «alto funcionário»? «Assistente»? Veja-se aqui: «Ainda que ele fosse um “royal equerry” [ajudante de ordens da família real], Townsend não era visto como marido adequado para a princesa porque era divorciado, e o Palácio de Buckingham o transferiu para Bruxelas» («Noivado de Harry mostra que família real deixou escândalos no passado», Michael Holden, Folha de S. Paulo, 27.11.2017, 11h47). E aqui: «La reina Isabel II eligió por primera vez a un hombre negro como “equerry”, una suerte de escudero o asistente privado, con una posición muy importante dentro del protocolo de la casa real y muy cercano a ella» («Primera vez en la historia: Isabel II eligió un asistente privado negro», Clarín, 9.07.2017, 11h47). Também equacionei «ajudante-de-campo», mas com algumas dúvidas. E a propósito, não me parece que esteja correcta a definição deste termo no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «oficial-às-ordens de um general».

 

[Texto 8765]

Helder Guégués às 18:50 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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03
Fev 18

Léxico: «slot»

Faixa horária, apenas

 

      «“Como se não nos bastasse a falta de slots em Portugal para poder crescer, temos um outro grande problema – não conseguimos contratar pilotos experientes.” O desabafo de José Lopes, diretor da easyJet em Portugal, vem com um apelo aos governantes nacionais para que assegurem “vantagens fiscais” que permitam atrair profissionais com experiência» («Pilotos estão a fugir para Espanha. Ganham 30% mais», Ana Margarida Pinheiro, Diário de Notícias, 26.01.2018, p. 19).

      Nem todos temos a sorte de ser especialistas em aeronáutica como a jornalista do DN e o seu entrevistado. Suponhamos que consultássemos, cientes do contexto, o Dicionário de Inglês-Português da Porto Editora. «Cá está», diríamos, «o que procurávamos: “AERONÁUTICA abertura para passagem de ar em aerofólio”.» Aerofólio, aerofólio... No portal da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), leio isto: «Qualquer operador que pretenda aterrar ou descolar num aeroporto coordenado deverá obter uma faixa horária (slot) atribuída pela Coordenação Nacional de Slots (aceda ao site nos links relacionados).» Vá, agora é a vez de o leitor mexer os dedos e ir ver o que é «aeroporto coordenado». Como sou boa pessoa, fica aqui o Glossário da Aviação Civil da ANAC.

 

[Texto 8678]

Helder Guégués às 21:26 | comentar | favorito
01
Fev 18

Como se traduz nos jornais

Um par de qualquer coisa

 

      Rádio Renascença: «Um membro do governo britânico demitiu-se por chegar atrasado ao parlamento. Michael Bates, secretário de Estado para o desenvolvimento internacional, chegou meia hora atrasado a uma sessão na Câmara dos Lordes, o que fez com que não respondesse a uma pergunta que lhe foi colocada» (7h46). Jornal i: «Michael Bates, secretário de Estado do Departamento para o Desenvolvimento Internacional no Reino Unido, chegou dois minutos atrasado à sessão de perguntas e respostas e, por isso, pediu a demissão “com efeitos imediatos”, noticia o The Guardian» («Secretário de Estado inglês demite-se por chegar 2 minutos atrasado», 12h25). The Guardian: «Bates had been due in the chamber at 3pm on Wednesday to answer a scheduled question from Lister on income inequality but arrived a couple of minutes late. In his absence the question was answered by the Lords chief whip, John Taylor» (31.01.2018, 20h23).

      O jornalista do i não sabe que, em contextos como este, «a couple of minutes» significa quase sempre, não dois minutos, mas alguns minutos, um lapso de tempo indeterminado, mas curto. Lamentável. A Rádio Renascença, por seu lado, parece ter uma fonte, não apenas alternativa, mas mais rigorosa.

 

[Texto 8662]

Helder Guégués às 22:04 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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22
Jan 18

Como se traduz por aí

Assim não se percebe

 

      O Franjinhas vai hoje participar num debate na Universidade de Copenhaga e pode ser detido. «De acordo com fontes da Fiscalia Geral do Estado, contactadas pela agência de notícias EFE, o pedido de detenção foi formalizado por Pablo Llarena, juiz do Tribunal Supremo e aplica-se apenas à Dinamarca» («Justiça espanhola pede à Dinamarca detenção do ex-presidente da Catalunha», Rádio Renascença, 22.01.2018, 8h29).

     Agora é assim, metade castelhano, metade português? Desaprovado. A Fiscalía General del Estado não é o equivalente em Espanha à portuguesa Procuradoria-Geral da República? Então, escrevam-no assim.

 

[Texto 8608]

Helder Guégués às 10:11 | comentar | ver comentários (2) | favorito
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