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Linguagista

Como se escreve por aí

Não façam isso

 

      «Se a imagem lhe causa calafrios, dispensa as apresentações. Para os menos familiarizados, aqui vai ela: eis a palmatória, menina dos cinco olhos, férula ou Santa Luzia. Formada por uma haste e um círculo, feita de madeira, adotada nas escolas algures no século XIX e usada durante grande parte do século XX, a palmatória foi um aliado indispensável para os professores e o terror de muitos alunos» («Dói só de olhar», Ana Tulha, Notícias Magazine, 11.09.2021, p. 6).

      Primeiro, endireitemos um pouco as coisas: «Se a imagem lhe causa calafrios, dispensa apresentações. Para os menos familiarizados, aqui vai ela: eis a palmatória, menina-de-cinco-olhos, férula ou santa-luzia.» (Sem AO90, para mim.) E não é ridículo que se descreva a palmatória — objecto que eu nunca vi à minha frente — daquela maneira, coincidente com a definição dos nossos dicionários, e a imagem que ilustra o texto seja de uma palmatória brasileira, que não apresenta nenhum círculo, antes parecendo uma panela de escape? Francamente. Bem podem orar a Santa Luzia, padroeira das pessoas com problemas visuais.

 

[Texto 15 459]

Proceder o seu curso?!

Nunca se sabe

 

      «Os assassinos foram absolvidos e desapareceram há muito, ainda que o caso continue ativo. O FBI decidiu reabri-lo em 2017 e, no ano passado, por ocasião do 65.º aniversário da barbárie, intensificou-se a campanha para que seja feita justiça. As investigações, ao que parece, procedem o seu curso, até agora sem resultados à vista» («Blues para Emmett Till», António Araújo, Diário de Notícias, 12.06.2021, p. 38).

      Sei lá se é lapso: não vimos já aqui gente supostamente inteligente escrever, e defender, «bramir o estandarte», entre outros disparates? Também não se pode dizer que seja erro de revisão — se os jornais não têm revisores. A desculpa é de que não há dinheiro para tal luxo.

 

[Texto 15 227]