Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Linguagista

Mais pequeno e menor

Liberdade

 

      «No Brasil dizer “mais pequeno” é tão errado como dizer “mais grande”. E é provavelmente o único caso que, em tanta discussão entre o português de Portugal e o português do Brasil, acho que o segundo tem razão. De facto, parece haver uma regra mais simples e objectiva em não usar as duas formas. Mas também é certo que encontro uma verdade poética em não ser errado em Portugal dizer “mais pequeno”» («O Brasil tem razão em não dizer mais pequeno», Tiago de Oliveira Cavaco, Observador, 5.06.2022, 00h15).

      Se a língua tivesse sido ideada por um Deus linguista, talvez não padecesse de irregularidades e anomalias, estas e outras, mas nunca seria perfeita, porque é usada pelo homem. Terá mesmo razão o Brasil? Não: melhor estamos nós, que podemos dizer, sem ninguém o poder apontar como erro, «mais pequeno» e «menor». Preferimos a primeira, mas não estamos obrigados a usá-la. Entre razão e liberdade, a escolha não podia ser mais fácil.

 

[Texto 16 420]

Esta língua...

Agora mudávamos tudo

 

      «A escritora [Paulina Chiziane] afirma que “a língua portuguesa que falamos hoje precisa de ser mais democratizada, precisa de ser mais humanizada. Há uma série de vestígios coloniais que estão dentro do livro que precisam de ser lavados, retirados até”. Mas também “o sexismo e vestígios de racismo”. Sobre o primeiro ponto, dá um exemplo prático: “a palavra herói: é um ‘homem considerado de elevada valentia, venceu batalhas’; ‘heroína, uma mulher de extraordinária beleza’. Quando li aquilo, pensei: ‘alguma coisa aqui não está bem!’» («“É preciso libertar os dicionários, o Portugal de hoje não é o mesmo de ontem”», Ricardo Alexandre, TSF, 14.05.2022, 11h25). Tantos defeitos tem esta língua... E onde leu isso, em que dicionário, sobre a palavra «heroína», pode saber-se? Ah, não vamos enfiar a carapuça.

 

[Texto 16 317]