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Linguagista

Sobre «cidadania»

É o costume

 

 

      «Ainda antes da actual crise, a discrição que era apanágio da monarquia conheceu sérios sobressaltos. Juan Carlos ultrapassou bem o que foi a sua maior gaffe diplomática, quando, em Novembro de 2007, na sessão final da XVII Cimeira Ibero-Americana, no Chile, repreendeu Hugo Chávez com a pergunta: “Por que não te calas?” O Presidente venezuelano interrompia José Luís Rodriguez Zapatero, que saíra em defesa do seu antecessor, José Maria Aznar, acusado de ser “fascista” pelo mandatário de Caracas. A cidadania espanhola apoiou a atitude do monarca e foram impressos cachecóis com a frase de Juan Carlos. A sua popularidade saiu reforçada» («Juan Carlos. Polémicas de uma caçada», Nuno Ribeiro, Público, 17.04.2012, p. 23).

      É raríssimo que se fale, na impresa, de algo relacionado com Espanha e não se infiltre um castelhanismo. É o caso. «Cidadania», na acepção de conjunto dos cidadãos de um povo ou nação, é puramente castelhano.

 

[Texto 1376]

«Levar a cabo»

Somos todos espanhóis

 

 

      Um castelhanismo já bem enraizado na nossa língua, com todo o ar castiço (com os castelhanismos, esse também é o problema: têm quase sempre, antigos ou recentes, ar de castiços — até «castiço» vem do castelhano castizo...), é a locução levar a cabo. Interessante é ver que, em Espanha, só no final do século XIX se passou a aceitar llevar a cabo, considerada forma espúria, a par de llevar al cabo, castiça (ou castiza, se quiserem...) dos quatro costados (ou por los cuatro costados, se lhes aprouver...).

 

 

[Texto 800]