21
Jul 17

Léxico: «queimódromo»

E outras que hão-de surgir

 

      «A EDP Corrida do Parque à Noite está de volta ao Parque da Cidade do Porto e a temática da edição deste ano é o universo e imaginário da saga Star Wars. A corrida e caminhada deste ano apresenta uma distância de 8 km, destinada a todas as classes etárias, e irá ter lugar no próximo sábado, dia 22 de julho, pelas 21h30, no Parque da Cidade do Porto, com partida e chegada no recinto do Queimódromo» («Corrida do Parque à Noite no sábado numa galáxia muito muito distante...», Destak, 21.07.2017, p. 2).

     Era, pois, só esperar, como disse: aqui pudemos ver pescódromo e aqui praxódromo. 

 

[Texto 8044]

Helder Guégués às 07:06 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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11
Jul 17

Léxico: «tomossíntese»

Apontai aí

 

      «Rastreio usa o método de Tomossíntese, com recurso a imagens a três dimensões. Governo lança também o projeto-piloto do Programa Regional do Cancro do Cólon e Reto para alargar a todo o país em 2018» («Rastreio do Cancro da mama com técnica inovadora no Algarve», Maria Augusta Casaca, TSF, 11.07.2017, 15h03).

      A tomossíntese — palavra que o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora ignora — é a mamografia a três dimensões (3D).

 

[Texto 8006]

Helder Guégués às 18:27 | comentar | ver comentários (1) | favorito
04
Jul 17

Léxico: «juridismo»

Então é isso

 

      «Já o ministro [Azeredo Lopes] começa, e bem, por dizer que assume a responsabilidade política (o que quer que isso seja no caso vertente) e que o roubo — a que eufemisticamente e por um conveniente “juridismo” chama “furto” — é grave» («Um governo intermitente», Paulo Rangel, Público, 4.07.2017, p. 44).

      Curioso, eu também ia jurar que foi um furto. É porque Paulo Rangel — que me parece dizer nesta frase tudo e o seu contrário — sabe mais do que o ministro e do que eu. Juridismo não conhecia.

 

[Texto 7976]

Helder Guégués às 18:43 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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22
Mai 17

Léxico: «gratô»

O pior há-de ser o nome

 

      «É semelhante a uma gelatina com polpa e chama-se ‘gratô’. Este produto alimentar eco-inovador e 100% natural foi produzido por uma equipa de estudantes de mestrado da Faculdade de Ciências de Coimbra, com a colaboração da Escola Superior Agrária de Coimbra (FCTUC)» («Investigadores de Coimbra criam ‘gratô’. Novo alimento combina fruta e algas», Rádio Renascença, 22.05.2017, 10h46).

      O Ratatui não se lembraria de um nome mais francês. Mas está bem, desde que não tenha aspecto nojento e seja saboroso. Será que se escreve «eco-inovador»?

 

[Texto 7859]

Helder Guégués às 17:03 | comentar | ver comentários (7) | favorito
17
Mai 17

Léxico: «ciclotossauro»

Acabadinho de chegar do frio

 

      «Uma nova espécie de anfíbio, com 208 milhões de anos, o maior descoberto até à data na Gronelândia, foi anunciada por uma equipa internacional que integra os paleontólogos da Universidade Nova de Lisboa Octávio Mateus e Marco Marzola. […] O ciclotossauro [Cyclotosaurus naraserluki] da Gronelândia viveu há 208 milhões de anos, no Triásico, no início da evolução dos dinossauros, e permite aos paleontólogos melhor compararem fósseis de faunas escavadas em diferentes continentes» («Tem 208 milhões de anos e 2,5 metros. É o maior anfíbio da Gronelândia», Rádio Renascença, 17.05.2017, 10h41).

      Não precisamos de uma comissão de sábios: podem levá-lo para os dicionários. É também aí que tem de estar fossilizado.

 

[Texto 7840]

Helder Guégués às 14:13 | comentar | ver comentários (1) | favorito
13
Mai 17

Léxico: «cibersegurança»

Sempre à frente

 

      «“Vi que esse domínio não estava registado e pensei, “Acho que vou ficar com isso”, disse o especialista ao jornal digital “Daily Beast”. Por cerca de 10 dólares – o preço habitual de um qualquer domínio – os dois ciberseguranças conseguiram evitar que o vírus encriptasse mais computadores, uma vez que o ataque de sexta-feira mostrou uma capacidade alta de se propagar globalmente» («Como acabar com o ataque informático que deixou todo o mundo em alarme? Comprando um domínio por 10 dólares», Rui Barros, Rádio Renascença, 13.05.2017, 14h20).

      Pois é, a realidade vai sempre mais à frente: os dicionários registam o termo cibersegurança como o estado de protecção contra ciberataques, mas os falantes sentem necessidade de dar nome a quem faz da cibersegurança a sua actividade. É isto a evolução da língua, e não, por exemplo, deixar de escrever «bem-vindo», assim, com hífen, como se lê no cartaz no Marquês de Pombal, iniciativa de leigos católicos. Vá lá, puseram a vírgula: «Bem Vindo, Papa Francisco!»

 

[Texto 7827] 

Helder Guégués às 16:48 | comentar | ver comentários (1) | favorito
07
Abr 17

Léxico: «azeitólogo»

Por mim, perfeito

 

      «No sector da olivicultura, o tema vem por vezes à baila. Que nome dar ao criador de azeites? Técnico de azeite? Oleiólogo? Azeitólogo? Outro. Admito que se possa um dia arranjar um nome que não provoque risinhos. Mas, para o que hoje nos interessa, temos de dar os parabéns à empresa Masaedo, pelo facto de ter a coragem de — julgamos que pela primeira vez — mencionar nos contra-rótulos dos seus azeites o nome do azeitólogo que os cria [Nuno Rodrigues]» («Já temos um azeitólogo assumido», Edgardo Pacheco, «W»/Jornal de Negócios, 7.04.2017, p. 20).

      É pena é «o facto de», mas não compreendo os risinhos. Azeitólogo já anda por aí em livros, e não apenas em contra-rótulos. Se aparecer outro melhor, avisem. Mais estranho é, por exemplo, enólogo, e ele lá entrou nos hábitos.

 

[Texto 7689]

Helder Guégués às 18:52 | comentar | ver comentários (3) | favorito
22
Mar 17

Léxico: «nanocápsula»

Não há nas farmácias

 

    «A descoberta é de cientistas da universidade espanhola de Salamanca e consiste num aerossol que se usa como um inalador normal, através do qual entram no corpo nanocápsulas inteligentes capazes de levar o medicamento directamente às células dos tumores» («Método promissor de combate ao cancro pode poupar horas de tratamento a doentes», Rádio Renascença, 22.03.2017, 13h14).

    Vejo-o em dicionários de outras línguas, pelo que, se for para os nossos, acho muito bem. São cápsulas nanométricas, ocas e de forma esférica, que servem de invólucro para pequeníssimas quantidades de produtos farmacêuticos, enzimas ou outros catalisadores.

 

[Texto 7599]

Helder Guégués às 20:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito