24
Abr 19

«Martemoto»?

Não percam tempo

 

      «A sonda InSight detetou, pela primeira vez, um “marsquake”, um evento sísmico no planeta Marte, anunciou esta terça-feira a NASA. Um sinal sísmico de fraca intensidade foi registado pela sonda no passado dia 6 de abril, indica a agência espacial norte-americana» («“Marsquake”. Sonda da NASA deteta primeiro sismo em Marte», Rádio Renascença, 24.04.2019, 1h06). Era mais do que previsível, aconteceu o mesmo com aterragem/alunagem. Para a imprensa anglo-saxónica, é marsquake, e entre nós já vi «martemoto». Com a sinonímia de que dispomos, é preciso andarmos aqui armados em parvos?

 

[Texto 11 246]

Helder Guégués às 08:56 | comentar | favorito

Léxico: «raios X e raios γ»

Desmentidos pela realidade

 

      Escreveram aqui «raios-X e raios-γ», mas, como se sabe, é sem hífen que devemos escrever estes termos. Outra questão — que já tratei no Assim Mesmo — é se a imagem obtida por meio dessa radiação electromagnética deve ter hífen. A meu ver, sim, e não estou muito mal acompanhado. O Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora finge muito mal que o problema não existe, pois em raios X, raios röntgen diz assim: «radiações electromagnéticas de pequeníssimo comprimento de onda e de grande poder de penetração, que se produzem quando um feixe de electrões embate contra um obstáculo, e que foram descobertas em 1895 pelo físico alemão W. C. Röntgen, 1845-1923». Ainda se dissesse que as radiações electromagnéticas e a imagem obtida se grafavam da mesma maneira, vá que não vá, mas não: simplesmente ignora esta segunda — e muito mais usada — acepção. Num texto alemão, quanto ao aparelho, descomplicam completamente: Röntgenapparatur. E tirar uma radiografia a, radiografar é röntgen. Para terminar, veja-se esta última incoerência no dicionário da Porto Editora: «raios gama», mas «raios X, raios röntgen». Se não estou a ver mal, devia ser raios γ, raios gama / raios X, raios röntgen.

 

[Texto 11 245]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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Léxico: «derivação»

Do que derivam problemas

 

      Os aparelhos de ECG de uso médico utilizam doze derivações (ao passo que o Apple Watch usa somente uma). Derivação, neste sentido, é cada uma das posições no paciente em que são captadas as actividades eléctricas do coração durante a realização do electrocardiograma. Não vejo esta acepção no Dicionário da Porto Editora da Porto Editora.

 

[Texto 11 244]

Helder Guégués às 08:42 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «triaxial/ triáxico»

Mais própria para esconjuros

 

      Enquanto não dispusermos do revolucionário Matrix PowerWatch 2 (isto porque os melhores relógios inteligentes do mundo deixaram de se fabricar, como o Pebble e o Vector Luna), vamo-nos entretendo com a triste realidade que aí está. Parece que a Xiaomi está prestes a lançar o Amazfit Bip 2, que contará, entre outras características, com um sensor de aceleração triaxial. Ora, o Dicionário da Porto Editora da Porto Editora não tem triaxial, a mais usada no dia-a-dia, nem triáxico. Em compensação (ou não...), acolhe triaxífero. É, convenhamos, uma palavra abracadabrante, mais própria para esconjuros.

 

[Texto 11 243]

Helder Guégués às 08:37 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «russofonia/ sinofonia/ turcofonia», etc.

Mais pontas soltas

 

      Sendo assim, ainda faltam algumas das mais referidas -fonias no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: russofonia, nipofonia, hindofonia, sinofonia, turcofonia, pelo menos. Já tem anglofonia, arabofonia, francofonia, germanofonia, hispanofonia e lusofonia. Em alguns casos, trata-se de imperdoáveis e incompreensíveis pontas soltas, pois regista o falante (por exemplo, germanófono), mas não a língua a que se refere.

 

[Texto 11 242]

Helder Guégués às 08:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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23
Abr 19

«De modo que»

Coisas velhas

 

      Quem é que não sabe que não se deve dizer de modo a nem de modo a que, quem? São erros que maculam ou afeiam a linguagem, e sem necessidade. Uma nota apenas para os confusionistas: as locuções conjuncionais terminam com «que»: ainda que, apesar de que, de maneira que, de modo que, de sorte que, a menos que, mesmo que, nem que, se bem que, etc. Logo por aqui, estava rejeitada a primeira forma espúria; quanto à segunda, é querer gastar logo tudo. Não: basta «de modo que». Queiram fazer o favor de corrigir o tal verbete.

 

[Texto 11 241]

Helder Guégués às 15:08 | comentar | favorito
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Léxico: «biofungicida/ bioestimulante»

Coisas novas

 

      «O extrato de sargaço, uma mistura de diferentes algas marinhas castanhas muito abundante em Portugal, apresenta um potencial como biofungicida para uso agrícola muito superior ao da alga Ascophyllum nodosum, conclui um estudo português. [...] As várias experiências comparativas realizadas “demonstraram que os compostos bioativos extraídos do sargaço são bem mais eficazes que o substrato comercial da alga Ascophyllum nodosum. Observou-se, também, um bom desempenho do sargaço como bioestimulante (ativa o sistema imunitário das plantas para se protegerem, por exemplo, de pragas) e como fertilizante”, afirmam João Cotas e Leonel Pereira, investigadores do MARE [Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra]» («Sargaço é um antifúngico natural mais eficaz que os químicos agrícolas», Nuno de Noronha, Sapo Lifestyle, 22.04.2019, 10h30).

 

[Texto 11 240]

Helder Guégués às 15:06 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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