02
Abr 20

E o AO90, como vai?

Falta a certidão de óbito

 

      «Crentes, agnósticos e ateus terão, pelo menos, a característica comum de gostarem de desfrutar um fim-de-semana prolongado na companhia de familiares e amigos. Não vai acontecer na Páscoa de 2020. O estado de emergência que vigora em Portugal será prolongado» («Só mais um bocadinho», João Cândido da Silva, coordenador do Expresso Online, Expresso Curto, 2.04.2020).

      «Fim-de-semana»? Mas o Expresso não seguia o Acordo Ortográfico de 1990? Bem, seguem-se «optimismo», «aspectos», «actividades», «direcção-geral», «perspectiva», mas também «diretor-geral», «infeção», «diretos», «ato» e um largo etc. de uma ortografia e da outra. Isto é uma farsa e uma inaudita forma de desrespeito aos leitores e à língua.

 

[Texto 13 079]

Helder Guégués às 14:15 | comentar | favorito
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09
Jan 20

As intermitências do Acordo Ortográfico

É esse o problema

 

      O Expresso Curto de hoje, assinado por João Cândido da Silva, coordenador do Expresso Online, não foi à máquina corta-língua: há um «baptizado», uma «direcção», vários «directos» e «indirectos», um «actualmente», um «jacto» (o de Carlos Ghosn), vários «objectivos» (nenhum, infelizmente, parece ser o de assentarem a cabeça), um «nocturno» (que não é o de Chopin, nem ninguém aqui falou de Santana Lopes), «actuais», «respectivos», «perspectiva», «actualidade», «actuação»... Para alguns, escarninhos, isto mostra a liberdade de que se goza no Expresso; para mim, é meramente a demonstração da bandalheira ortográfica e linguística que ali reina e campeia no reino. Mas eu nem me devia queixar, não é?, afinal, nem sinais do tal acordo. (Parabéns, João Cândido da Silva.) Só que logo, amanhã, no futuro outros jornalistas do mesmíssimo Expresso voltam a seguir ineptamente a ortografia mutiladora do AO90. Esse é que é o problema.

 

[Texto 12 605]

Helder Guégués às 10:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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Léxico: «mandachuva» (no AO90)

Mau, assim não

 

      Numa observação da Base XV, n.º 1, do Acordo Ortográfico de 1990, lê-se: «Certos compostos, em relação aos quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente: girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc.» Podia ser mais claro? Não. Ainda assim, o dicionário da Porto Editora com o Acordo Ortográfico de 1990 tanto regista «mandachuva» como «manda-chuva». Assim não vamos longe.

 

[Texto 12 597]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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06
Jan 20

AO90 e sua aplicação

Nem cinquenta anos chegarão

 

      «Nada sobre a cor do cabelo, da pele ou dos olhos, tão-pouco sobre a forma dos seios, lábios ou mamilos, a dimensão das coxas ou a textura dos pêlos púbicos, nem uma palavra sobre os braços estarem tonificados, nem sobre o tamanho da cintura, ou sobre ela depilar as axilas e pintar as unhas dos pés» (O Homem Que Via Tudo, Deborah Levy. Tradução de Alda Rodrigues. Lisboa: Relógio D’Água, 2019, p. 33).

      Já o disse mais de uma vez: nem dentro de cinquenta anos as regras do Acordo Ortográfico de 1990 estarão totalmente apreendidas. E, no caso, temos a agravante de o texto ter passado pelos olhos e pelas mãos de uma tradutora e de um revisor. Nem assim. Com o AO90, é «pelo/pelos». A meu ver, em vez de tentames ineptos, precisamos é de voltar à ortografia de sempre — com os erros de sempre, mas muito menos e menos graves.

 

[Texto 12 575]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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02
Jan 20

Tudo na mesma no «Expresso»

A decência e a normalidade

 

      Entre as resoluções para 2020 do Expresso não parece estar a de entrar nos carris da decência e da normalidade ortográfica e sintáctica: «Os elogios às palavras do Presidente vieram de quadrantes diversos. Como do Bloco de Esquerda e do PAN. Isto pelo fato de Marcelo ter realçado a necessidade do Governo dialogar com a esquerda. O PS não se ficou e de pronto garantiu que sim senhora, vai mesmo falar com a esquerda (é bom não esquecer que é já para a semana que o Orçamento é votado no Parlamento). O PCP foi mais cauteloso» («Marcelo, o anti-ciclone do Corvo», Martim Silva, director-adjunto, Expresso Curto, 2.01.2020).

 

[Texto 12 559]

Helder Guégués às 09:45 | comentar | favorito
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19
Dez 19

Pouco contacto com a língua

Falar é fácil

 

      Viram ali mais para trás a referência à Unbabel, a startup portuguesa que «alia inteligência artificial com pós-edição humana»? Então, o que falha quando escrevem no seu sítio da Internet «Traduza emails de clientes com total confiança, desde o primeiro contato à sua resolução»? Falha a inteligência artificial ou a pós-edição humana? Ou ambas? Em Portugal, diacho, só se escreve de uma forma esta palavra: CONTACTO!

 

[Texto 12 502]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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14
Dez 19

Desarranjos ortográficos

Prove-o

 

      «A maior alteração na ortografia da língua portuguesa, na variante lusoafricana depois do acordo ortográfico de 1990, foi a supressão das consoantes mudas ou não articuladas, ou seja, que não se pronunciam, tal como já acontece na variante brasileira» (Manual do Bom Português Atual, Lúcia Vaz Pedro. Vila Nova de Gaia: Calendário de Letras, 2016, p. 102).

      Começa logo por estar mal pontuada, mas esqueçamos agora esse pormenor. O bom português actual não é este, obviamente — e nem no português com o Acordo Ortográfico de 1990 se escreve «lusoafricano». Escreve? Prove-o.

 

[Texto 12 472]

Helder Guégués às 18:45 | comentar | favorito
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17
Out 19

O AO90 em todo o seu esplendor

De fato e touca

 

      «Nada é eterno e o resultado de uma cirurgia também não, mas não quer dizer que em algumas o resultado não seja de fato permanente. Antes de qualquer procedimento, esclarecer tudo com o seu médico, começando por se certificar das suas habilitações e experiência na matéria» («As próteses mamárias duram a vida toda?», Ângelo Rebelo, cirurgião plástico, Visão Saúde, Out./Nov. de 2019, p. 111).

     Boa ideia: começaria por lhe propor um ditado ou uma composição. Que acha? E não deixaria de lhe pedir que tirasse a touca amaricada, quase psicadélica (faltam-te acepções em psicadélico, Porto Editora), que agora todos usam até quando vão à televisão.

 

[Texto 12 180]

Helder Guégués às 03:00 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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