10
Dez 11

«Levar o nome»

Uma forma de contrabando

 

 

      «Existe ainda, em Espanha, um prémio que leva o nome de Elisa e Marcela, destinado a distinguir iniciativas que defendam os direitos dos homossexuais. E a Universidade da Corunha tem actualmente em exposição uma mostra dedicada ao tormentoso caso das duas mulheres» («Marcela e Elisa, um amor de contrabando», Jorge Marmelo, «P2»/Público, 10.12.2011, p. 4).

      Mas esta não é forma de dizer inteiramente castelhana? «Muy semejante al libro que lleva el nombre de Juan Díaz Rengifo es el rarísimo Cisne de Apolo» (Historia de las ideas estéticas en España: Siglos XVI y XVII, Menéndez y Pelayo. Madrid: Imprenta de A. Pérez Dubrull, 1896, p. 321).

 

 

[Texto 796] 

Helder Guégués às 17:15 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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11
Out 11

«É de pura lógica»?

De contrabando

 

 

      «Salvo en casos excepcionalísimos de absoluta flagrancia, es de pura lógica que, etc.» E os tradutores (dois)? «Salvo em casos excepcionalíssimos de absoluto flagrante, é de pura lógica que, etc.» E esta forma de dizer é portuguesa? Emparelha — até porque estamos a falar de dois tradutores — com o «logicamente» contrabandeado de Espanha de Luís Figo.

 

[Texto 572] 

Helder Guégués às 14:57 | comentar | ver comentários (7) | favorito
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13
Jul 11

«Desde Madrid/de Madrid»

Que desgosto

 

 

      Ora leiam com atenção: «Para aquele perito, que testemunhou desde Madrid por videoconferência, a morte do jovem foi causada por um golpe de calor» («Óbito de escuteiro está em tribunal: morte súbita ou golpe de calor?», Licínio Lima, Diário de Notícias, 7.07.2011, p. 21).

      Não escreva assim, ¡caray!, caro Licínio Lima. Então não sente que isso não é português? O uso da preposição «desde» em vez da preposição «de» nesta construção é tipicamente castelhano. Eu já tinha falado neste erro, mas os jornalistas ainda eram novos.

 

[Texto 293]

Helder Guégués às 08:23 | comentar | ver comentários (26) | favorito
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12
Jul 11

«Acampada»

«Acampada», arruada...

 

 

      «“Este é um encontro de pessoas que estão mais indignadas do que nunca”, disse Paulo Cardoso, do Inter-nacional, um dos grupos nascidos na “acampada” do Rossio e que agora lançou o convite a outros colectivos para um debate além-fronteiras, inédito em Portugal e que ontem foi transmitido para várias praças europeias através da Internet» («‘Indignação’ europeia esteve sediada em Lisboa», Ana Fonseca Pereira, Público, 11.07.2011, p. 16).

      Nos jornais ainda temos o asseio das aspas (embora, no caso particular do Público, o mau uso e a banalização deste sinal gráfico tenha levado ao esvaziamento do seu significado), mas na rádio nem isso temos. Nas últimas semanas, tem sido raro o dia em que não ouço nos noticiários da Antena 1 alguém usar a palavra. Mais um castelhanismo: «acción y efecto de acampar».

 

 

[Texto 289] 

Helder Guégués às 21:43 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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07
Jul 11

«Deixar cair»

É da crise

 

 

      «A equipa de procuradores que está a tomar conta do caso de Dominique Strauss-Kahn não deixou cair as acusações por crimes sexuais e a “investigação vai continuar”, anunciou ontem o gabinete do procurador de Manhattan» («Investigação a Strauss-Kahn vai continuar», Catarina Reis da Fonseca, Diário de Notícias, 7.07.2011, p. 25).

      Perante a crise, a jornalista Catarina Reis da Fonseca decidiu agora, para alargar o mercado potencial de trabalho, escrever em espanhol: dejar caer. O Diário de Notícias é lido para lá de Elvas?

 

[Texto 268]

Helder Guégués às 20:07 | comentar | ver comentários (9) | favorito
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15
Jun 11

Tradução: «suponer»

Também já vimos este

 

 

      «Segundo a historiadora [Isabel Soler], a expedição de Vasco da Gama supôs “uma ruptura do monopólio” do comércio com o Oriente, dominado pelos italianos, mas o império português foi mais marítimo do que territorial, com excepção do Brasil, onde teve uma presença semelhante à de Espanha no Peru e no México» («Navegador Vasco da Gama era “violento e irascível”», Diário de Notícias, 15.06.2011, p. 47).

      Não será à falta de aviso, pois já vimos este erro noutras ocasiões. O jornalista devia ter visto o verbete «suponer» num dicionário de língua espanhola e o verbete «supor» num dicionário de língua portuguesa. Chegaria a uma conclusão muito simples: são tantas as semelhanças quanto as diferenças. Sim, o étimo, supponĕre, é o mesmo. Suponere, no contexto, traduz-se por «representar». «Según la historiadora, el viaje de Vasco de Gama supuso “la ruptura del monopolio” del comercio con Oriente que tenían los venecianos.» «Venezianos», afirmou a autora, não italianos.

 

[Texto 159]

Helder Guégués às 12:39 | comentar | ver comentários (5) | favorito
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