12
Mai 20

Como se escreve por aí

De fugir

 

      «Foi com uma saída tempestiva que Donald Trump terminou esta segunda-feira o briefing diário na Casa Branca. Depois de discutir com duas jornalistas, o presidente norte-americano acabou por abandonar a conferência de imprensa sem responder às últimas perguntas» («Trump abandona briefing diário depois de discutir com jornalistas», Ana Kotowicz, Observador, 12.05.2020, 7h52).

      Tempestiva, essa saída, do ponto de vista do próprio Trump, não, Ana Kotowicz? «A minha saída foi tempestiva, oportuna... Ah, os ordinários dos jornalistas!» Não: a jornalista devia ter escrito «intempestiva», isto é, súbita, repentina. A meu ver, certos jornalistas deviam confiar um pouco menos naquilo que julgam saber e comprovar mais o que escrevem e como o escrevem. ↓ ↓ ↓ ↓

 

[Texto 13 327]

Helder Guégués às 16:06 | comentar | favorito
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10
Mai 20

Sob/sobre, a confusão continua

Uma jornalista...

 

      «Um piso abaixo, no 3, funciona o laboratório de urgência. Activo 24 sob 24 horas, está sempre pronto a dar resposta. Junto à entrada, dois tubos do sistema pneumático fazem chegar ao laboratório amostra de sangue colhido na central de colheitas e na urgência pediátrica. “Pelo barulho, vão chegar amostras”, diz Melo Cristino. E uns segundos depois, chegou» («Viagem ao laboratório onde já se fizeram mais de 15 mil testes à covid-19», Ana Maia, Público, 8.05.2020, p. 13).

 

[Texto 13 308]

Helder Guégués às 08:30 | comentar | favorito
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25
Abr 20

«Crise epidérmica», disse ele

Não foi boa ideia

 

      Um velhote (espero que não me obriguem a escrever «sénior», ou isto vai correr mal), equipado como se fosse entrar no bloco operatório, perguntado, em plena rua, sobre as comemorações do 25 de Abril este ano, disse compreender as restrições, dada a «crise epidérmica» que se vive. Quem me manda ver televisão?

 

[Texto 13 221]

Helder Guégués às 14:45 | comentar | favorito
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30
Mar 20

As clássicas confusões II

Ia até parecer mal

 

      «Faço batota. E remeto para esta ideia do El Pais que coligiu 20 frases de figuras célebres (de Winston Churchill a Nelson Mandela, de Dolly Parton a Madonna) que nos levantaram a moral em (noutros) tempos difíceis» («O bicho que nos mordeu», Cristina Figueiredo, editora de Política da SIC, Expresso Curto, 20.03.2020). Até ia parecer mal que nestes tempos terríveis que atravessamos os jornalistas se preocupassem com estas minudências, não é?

 

[Texto 13 047]

Helder Guégués às 09:15 | comentar | favorito
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As clássicas confusões I

Não era agora que melhoravam

 

      «Autoridades acederam à identidade dos utilizadores das redes sociais sem necessidade de um mandato. Esta é uma realidade que os cidadãos da Índia podem vir a experienciar em breve» («Direitos», PC Guia, 2.03.2020, p. 14). Muitos bits e bytes, mas no que realmente importa, no que respeita à linguagem, é a mesma desgraça da imprensa em geral.

 

[Texto 13 045]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | favorito
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02
Fev 20

Confusões: «arriar | arrear»

As confusões de sempre

 

      «Esta noite, quando os ponteiros acertarem nas 12, a bandeira será arreada nas instituições de Bruxelas e o Reino Unido deixará de ser membro da União Europeia» («“Mind the Gap.” Reino Unido desata laços de 47 anos de integração europeia», João Francisco Guerreiro, TSF, 31.01.2020, 8h30). Esta gente confunde burros com bandeiras. Aliás, o que é que eles não confundem? Nada. Arreada é para uma cavalgadura — uma bandeira só pode ser arriada, isto é, descida, tirada do mastro. E por falar em cavalgaduras... Não, esqueçam.

      É erro largamente disseminado: «Às 23h00 (0h00 em Bruxelas), as bandeiras do Reino Unido são arreadas de todos os edifícios das instituições europeias e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, fala ao país» («Governo sob pressão», Cristina Figueiredo, editora de Política da SIC, Expresso Curto, 31.01.2020).

 

[Texto 12 749]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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28
Jan 20

Confusões: «xeque/cheque»

Volte à casa 1

 

      «Quando há cinco meses — antes das Legislativas —, alguém que conhece bem o CDS me disse que Francisco Rodrigues dos Santos ia ser o próximo presidente do partido, confesso que não acreditei. A viragem parecia-me demasiado radical, demasiado arriscada, demasiado desesperada. Mas, já se sabe: a desgraça de uns é quase sempre a felicidade de outros e a tragédia eleitoral do CDS — que era um desastre à beira de acontecer — era a peça que faltava ao Chicão para fazer cheque-mate» («Chicão, o bicho-papão», Anselmo Crespo, TSF, 26.01.2020, 16h55).

      Também nós não queríamos acreditar — mas é uma triste evidência que temos aqui mais um jornalista que não domina os arcanos da ortografia da língua, seu instrumento de trabalho. As homófonas xeque e cheque são muitas vezes confundidas, mas tal não devia acontecer com um jornalista. Também precisa de prestar mais atenção à pontuação.

 

[Texto 12 717]

Helder Guégués às 08:15 | comentar | favorito
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23
Jan 20

As confusões de sempre

Para que se veja que persistem

 

      «Angola quer fazer regressar Isabel dos Santos a casa “por todos os meios”. A Procuradoria-Geral de Angola tem uma investigação por branqueamento de capitais a correr sobre a empresária e admite emitir mandato de captura a Isabel dos Santos, que ainda não foi ouvida porque saiu de Angola no dia em que foi notificada. É o Procurador-Geral de Angola (PGA), Hélder Pitta Grós, que confirma ao Expresso e à SIC que o processo está numa fase decisiva» («Justiça angolana quer Isabel de volta ao país», Cristina Peres, Expresso Curto, 21.01.2020).

 

[Texto 12 690]

Helder Guégués às 08:00 | comentar | favorito
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16
Jan 20

Léxico: «sextilião»

É muito mais

 

     «Segundo os cientistas, a temperatura média dos oceanos aumentou no ano passado em cerca de 0,075 graus centígrados [sic] face à média de 1981-2010. Para atingir essa temperatura o oceano terá absorvido 228 sextiliões (228 seguido de 21 zeros) de joules de calor» («Oceanos atingem temperaturas mais altas na história da Humanidade», Rádio Renascença, 13.01.2020, 21h52).

      Isso é no Brasil, que usa a escala curta na nomenclatura de números grandes. Em Portugal, um sextilião é um milhão de quintiliões, ou seja, a unidade seguida de trinta e seis zeros. Sim, leram bem, trinta e seis zeros: 1 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000 000.

 

[Texto 12 644]

Helder Guégués às 08:45 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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