25
Set 20

Como se escreve por aí

Como calha

 

      «O vento fresco de Trás-os-Montes não anda aqui. Às portas da serra da Estrela, a visão é próxima à de uma estância pireneica, mas estão mais de 20 graus e, nesta altura do ano, quem manda é a água, que sai quente da terra» («Passear as águas, da montanha à planície», Rute Barbedo, «Fugas»/Público, 22.08.2020, p. 13). Isso é italiano, Rute Barbedo. Em português é pirenaico. E, assim, cispirenaico, transpirenaico.

[Texto 14 027]

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23
Set 20

Léxico: «espectrógrafo»

Pois é

 

      Alexandre Cabral, investigador do Instituto de Astrofísica e de Ciências do Espaço, foi ontem o convidado dos 90 Segundos de Ciência, da Antena 1. Veio falar do espectrógrafo Expresso, instalado no VLT, um dos maiores observatórios, situado no deserto de Atacama, Chile. Num texto de apoio da Infopédia sobre Francis Aston, a palavra aparece mal escrita: «Um dos seus trabalhos principais e pelo qual recebeu o Prémio Nobel da Química, em 1922, foi o desenho e a utilização do espectógrafo de massa, ferramenta fundamental da física atómica, que lhe permitiu compreender diversos problemas, nomeadamente a existência de isótopos em elementos radioativos como também em muitos outros elementos da Tabela Periódica.»

 

[Texto 14 009]

Helder Guégués às 09:30 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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22
Set 20

Mau tempo no dicionário

A subversão

 

      Que se passa aqui? Na Infopédia, um texto de apoio tem o título «Direção Geral de Segurança (DGS)» (texto em que há mais erros); no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, mantém-se o erro «assembleia-geral». Isto está a correr mal.

 

[Texto 14 003]

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14
Set 20

Sobre «assembleia geral»

Um dos muitos erros

 

      «FIFA anula assembleia-geral da Federação da Costa do Marfim sobre eleições com Drogba» (Record, 23.8.2020, 17h48). Isto — já legitimado, erradamente, pelo dicionário da Porto Editora e por outros — NUNCA aparecerá em texto saído das minhas mãos. (Se aparecer, é porque foi o editor à minha revelia.) Está errado, sim, Porto Editora, e está errado porque nos muitos compostos em que entra o elemento -geral este significa SEMPRE que este está numa hierarquia, que é o principal. Isto aplica-se a algum tipo de assembleia? NÃO.

 

[Texto 13 954]

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30
Ago 20

«Cancionetista»?

Vê-se de tudo

 

      «“A permissão dada pela Câmara Municipal de Lisboa à Time Out para ocupar, ‘esplanadar’ no dialecto do promotor, o jardim da Praça D. Luís I, com o enterramento de estacas na placa ajardinada, montagem de cercas e diversas bugigangas, representa, a nosso ver, o regresso a episódios de triste memória de há uma década, quando assistimos incrédulos à cedência a privados de praças e jardins de Lisboa para eventos os mais variados, desde lançamentos de marcas de automóvel a supermercados e a espectáculos de ‘cancionetistas’”, nota o Fórum Cidadania Lx» («Ocupação de jardim em Lisboa com esplanada gera protesto», Cristiana Faria Moreira, Público, 26.08.2020, p. 17).

      Inteiramente aceptable, pero en castellano, não em português. É bem verdade que não é a primeira vez que o vejo num texto em português, mas o que é que não se vê?

 

[Texto 13 879]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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28
Ago 20

Uma espécie de latim

Só que não é

 

      «Temos portanto que as barreiras para uma vitória democrata são mais altas do que antes e do que se costuma imaginar. A Joe Biden não basta estar à frente nas sondagens (Hillary Clinton também esteve), nem ter mais votos (idem), nem sequer ter muito mais votos (ibidem)» («E se ninguém ganhar as eleições nos Estados Unidos?», Rui Tavares, Público, 26.08.2020, p. 40).

      Para Rui Tavares, é como se idem e ibidem fossem sinónimos. Nada mais errado. E o itálico, estão a poupá-lo? Já teria uma pista a pertença destes dois termos a classes gramaticais diferentes, mas isso era se quem escreve consultasse dicionários e gramáticas.

 

[Texto 13 877]

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04
Ago 20

«Tratar-se de», mais uma vez

Mostrem que aprendem

 

      «No mesmo sentido se pronunciou o Comando Territorial da GNR de Braga, já que se tratam de factos alegadamente ocorridos no concelho de Barcelos, naquele distrito. “Iremos efetuar diligências para apurar as circunstâncias da gravação. Caso se trate efetivamente de um guarda[,] haverá lugar a processo disciplinar, uma vez que a GNR não autorizou tal participação”, disse» («GNR investiga uso de farda de militar em vídeo de “rapper” minhoto», Joaquim Gomes, Jornal de Notícias, 31.07.2020, 19h55).

      Joaquim Gomes, não aprendeu isto, pelos vistos não lê nem relê, enfim. O mais estranho é não o corrigirem aí no jornal.

 

[Texto 13 844]

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25
Jul 20

Como se escreve por aí

Mais concretamente em Angola

 

      Vamos lá espreitar aqui umas inépcias dos jornalistas do Jornal de Angola, para servir de estímulo, aguilhão: «Longe das caridades e doacções dos que professam a fé, as empresas e vendedores particulares viram na procura das igrejas por termómetros, lixívia, álcool em gel e pulverizadores um novo “el dourado” para quem os tem em stock» («Corrida aos kits de biossegurança», Jornal de Angola, 23.06.2020, p. 7). Também não conhecem o itálico nem têm dicionários ou vocabulários, os pobres. Os petrodólares não chegaram para estas miudezas.

 

[Texto 13 793]

Helder Guégués às 09:00 | comentar | favorito
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23
Jul 20

A caixa de Pandora deturpada

Ide à Casa Sonotone

 

      Isto são erros só para correspondentes das nossas televisões e rádios: em 2008, Daniel Ribeiro, correspondente da Antena 1 em França, falava, a propósito de uma greve, de se ter aberto a «caixa de Pandôrra»; ontem, foi a vez de Henrique Cymerman, o correspondente da SIC em Israel, que se referiu à «caixa de Pandôra». Atenção: não têm de deixar de ser correspondentes, apenas têm de ser mais atentos, conhecer melhor a língua e a cultura.

 

[Texto 13 780]

Helder Guégués às 10:30 | comentar | favorito
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