13
Fev 15

«Um GNR»

Um tudo-nada estranho

 

      «Coitada, era filha de um guarda-republicano, estava-lhe o mau gosto na massa do sangue» (Explicação dos Pássaros, António Lobo Antunes. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, p. 26). É curioso que, na oralidade e na escrita, não se use muito; talvez se use mais «GNR». «Numa dessas noites, estava a mesa formada quando lá apareceu um GNR fardado» (Vida e Mortes de Faustino Cavaco, Faustino Cavaco e Rogério Rodrigues. Lisboa: ER-Heptágono, 1989, p. 168). Não deixa de ser estranho que se use uma sigla para designar um agente. Não por ser em maiúsculas, porque em minúsculas também é estranho: «Uma vez o gajo [Edmundo Pedro] ia num camião com uma carga valiosa: estava cheio de whisky e de tabaco... Um gnr manda-o parar, os gajos não podiam perder a carga...» (Entrevistas a Luiz Pacheco, VV. AA. Lisboa: Tinta-da-China, 2008, p. 212). Mas poucas vezes ouvi «um PSP», e nunca «um PJ». Assim, para os dicionários também tem de ir, pelo menos, GNR na acepção de agente da GNR (como está, por sugestão minha, «pide» no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora). Claro que às siglas falta o que o acrónimo PIDE tem («nunca um acrónimo se abotoou tão bem à farda», escreve Ana Margarida de Carvalho em Que Importa a Fúria do Mar).

 

[Texto 5559]

Helder Guégués às 22:05 | comentar | ver comentários (3) | favorito
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01
Out 14

É VPH

Está mal

 

 

      «Desde 2008 que as adolescentes portuguesas receberam três doses da vacina contra o vírus do papiloma humano (HPV) para protecção contra o cancro do colo do útero. A partir de hoje, mudam as regras: as raparigas passam a ser vacinadas com apenas duas doses e o início da imunização foi antecipado dos 13 para os dez anos, informa a Direcção-Geral da Saúde (DGS)» («Vacina contra cancro do colo do útero dada em duas doses desde os dez anos», Alexandra Campos, Público, 1.10.2014, p. 8).

    Só os nossos jornalistas... Escreve, e bem, o nome da doença, vírus do papiloma humano, o que nem todos fazem bem, mas depois a sigla segue o nome em inglês, human papiloma virus.

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[Texto 5103]

Helder Guégués às 09:16 | comentar | favorito
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02
Jun 14

Abreviatura de «santos»

S., no plural

 

 

     «SS. Giovanni e Paolo, Igreja 18» (Veneza: Percursos com Corto Maltese, Hugo Pratt, Guido Fuga e Lele Vianello. Tradução de Paula Caetano. Alfragide: Edições Asa II, 2011, p. 159).

   Ah, sim, é só isto: a abreviatura de «santos». Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e para outros dicionários, SS é somente a sigla de «Segurança Social» ou de «Schutzstaffel», o Esquadrão de Protecção nazi. Já aqui vimos outra abreviatura com reduplicação, FFAA. E não escrevemos «pp.» para abreviatura de «páginas»? Em castelhano também é assim: CCOO, EEUU, FFAA...

 

[Texto 4661]

Helder Guégués às 13:40 | comentar | favorito
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12
Abr 13

«NATO/OTAN»

NATO

 

 

      OTAN na sigla portuguesa, pois, mas vejam como Botelho de Amaral se esqueceu ou lhe era indiferente: «Um speaker fez, por exemplo, referência aos países da NATO. Não mencionou Portugal. Advertido por mim, disse-me que a Espanha nada tinha que ver com a NATO. Ensinei-lhe História e Geografia» (A Língua Inglesa e a Vida em Londres, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, pp. 66-67). Ter o autor escrito este livro lá pelos Royal Parks londrinos, enquanto apanhava sol, há-de ter tido a sua influência...

 

[Texto 2757]

Helder Guégués às 10:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Mai 12

«PPP’s»

Mas é um bom exemplo

 

 

      «Quer isto dizer que numa democracia europeia será mais difícil a cada grupo controlar uma agenda em que os outros grupos se decidam por PPP’s? Admito: o exemplo é doloso» («A democracia na Europa», Pedro Lomba, Público, 24.05.2012, p. 48).

      Em português, o apóstrofo serve apenas para assinalar a elisão de uma ou mais letras. Que letra ou letras suprimiu, Pedro Lomba? Ah, e as siglas não têm plural.

 

[Texto 1578]

Helder Guégués às 07:24 | comentar | ver comentários (14) | favorito
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16
Mai 12

A sigla SMS

Ora esta

 

 

      «Relvas recebeu sms e emails de Silva Carvalho com propostas para secretas» (Maria José Oliveira, Público, 16.05.2012, p. 8). Pois é, no Público grafam assim uma sigla de três letras. Isso é muito estranho.

 

[Texto 1532]

Helder Guégués às 15:11 | comentar | favorito
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19
Abr 12

Plural das siglas

Mais do que desaconselhável

 

 

      «No passado dia 30 de Março decorreu em Luanda a VII Reunião de Ministros da Educação [ME’s] da CPLP para, entre outros assuntos, discutirem a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 [AO]» («A CPLP e a consagração do desacordo ortográfico», António Emiliano, Público, 19.04.2012, p. 51).

      Sigla pluralizada? Alguns querem... Mas com apóstrofo, sinal de elisão, a elidir o quê? E os parênteses rectos?

 

[Texto 1394]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | favorito
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01
Dez 11

«PIDE/pide»

Schwein!

 

 

      «“Constou-me que a pátria estava em perigo!”, justificação que muito impressionou o PIDE, que quase lhe faz continência, enquanto o meu pai acaricia o atestado que leva no bolso e remata o diálogo com um sonoro Schwein! à laia de despedida, escudado no hermetismo da deutsche Sprache» («Os canadianos, esses sornas», Ana Cristina Leonardo, Atual/Expresso, 19.11.2011, p. 6).

      Já tivemos oportunidade de ver esta questão, mas insisto: creio que é preferível não usar o acrónimo para designar a pessoa pertencente à Polícia Internacional de Defesa do Estado. Alguns dicionários já registam o termo, mas não o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que o mais próximo que acolhe é... «cide». Quanto a Schwein, Ana Cristina Leonardo não quis tirar-nos o prazer de descobrirmos o que significa. Obrigadinho.

 

[Texto 749] 

Helder Guégués às 08:23 | comentar | favorito
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