02
Jun 14

Abreviatura de «santos»

S., no plural

 

 

     «SS. Giovanni e Paolo, Igreja 18» (Veneza: Percursos com Corto Maltese, Hugo Pratt, Guido Fuga e Lele Vianello. Tradução de Paula Caetano. Alfragide: Edições Asa II, 2011, p. 159).

   Ah, sim, é só isto: a abreviatura de «santos». Para o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, e para outros dicionários, SS é somente a sigla de «Segurança Social» ou de «Schutzstaffel», o Esquadrão de Protecção nazi. Já aqui vimos outra abreviatura com reduplicação, FFAA. E não escrevemos «pp.» para abreviatura de «páginas»? Em castelhano também é assim: CCOO, EEUU, FFAA...

 

[Texto 4661]

Helder Guégués às 13:40 | comentar | favorito
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12
Abr 13

«NATO/OTAN»

NATO

 

 

      OTAN na sigla portuguesa, pois, mas vejam como Botelho de Amaral se esqueceu ou lhe era indiferente: «Um speaker fez, por exemplo, referência aos países da NATO. Não mencionou Portugal. Advertido por mim, disse-me que a Espanha nada tinha que ver com a NATO. Ensinei-lhe História e Geografia» (A Língua Inglesa e a Vida em Londres, Vasco Botelho de Amaral. Lisboa: Centro Internacional de Línguas, 1958, pp. 66-67). Ter o autor escrito este livro lá pelos Royal Parks londrinos, enquanto apanhava sol, há-de ter tido a sua influência...

 

[Texto 2757]

Helder Guégués às 10:34 | comentar | ver comentários (1) | favorito
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24
Mai 12

«PPP’s»

Mas é um bom exemplo

 

 

      «Quer isto dizer que numa democracia europeia será mais difícil a cada grupo controlar uma agenda em que os outros grupos se decidam por PPP’s? Admito: o exemplo é doloso» («A democracia na Europa», Pedro Lomba, Público, 24.05.2012, p. 48).

      Em português, o apóstrofo serve apenas para assinalar a elisão de uma ou mais letras. Que letra ou letras suprimiu, Pedro Lomba? Ah, e as siglas não têm plural.

 

[Texto 1578]

Helder Guégués às 07:24 | comentar | ver comentários (14) | favorito
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16
Mai 12

A sigla SMS

Ora esta

 

 

      «Relvas recebeu sms e emails de Silva Carvalho com propostas para secretas» (Maria José Oliveira, Público, 16.05.2012, p. 8). Pois é, no Público grafam assim uma sigla de três letras. Isso é muito estranho.

 

[Texto 1532]

Helder Guégués às 15:11 | comentar | favorito
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19
Abr 12

Plural das siglas

Mais do que desaconselhável

 

 

      «No passado dia 30 de Março decorreu em Luanda a VII Reunião de Ministros da Educação [ME’s] da CPLP para, entre outros assuntos, discutirem a aplicação do Acordo Ortográfico de 1990 [AO]» («A CPLP e a consagração do desacordo ortográfico», António Emiliano, Público, 19.04.2012, p. 51).

      Sigla pluralizada? Alguns querem... Mas com apóstrofo, sinal de elisão, a elidir o quê? E os parênteses rectos?

 

[Texto 1394]

Helder Guégués às 09:24 | comentar | favorito
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01
Dez 11

«PIDE/pide»

Schwein!

 

 

      «“Constou-me que a pátria estava em perigo!”, justificação que muito impressionou o PIDE, que quase lhe faz continência, enquanto o meu pai acaricia o atestado que leva no bolso e remata o diálogo com um sonoro Schwein! à laia de despedida, escudado no hermetismo da deutsche Sprache» («Os canadianos, esses sornas», Ana Cristina Leonardo, Atual/Expresso, 19.11.2011, p. 6).

      Já tivemos oportunidade de ver esta questão, mas insisto: creio que é preferível não usar o acrónimo para designar a pessoa pertencente à Polícia Internacional de Defesa do Estado. Alguns dicionários já registam o termo, mas não o Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, que o mais próximo que acolhe é... «cide». Quanto a Schwein, Ana Cristina Leonardo não quis tirar-nos o prazer de descobrirmos o que significa. Obrigadinho.

 

[Texto 749] 

Helder Guégués às 08:23 | comentar | favorito
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09
Set 11

Plural das siglas

O deus da gramática

 

 

     «A resposta correcta é “os CD”. Ora, recapitulamos aqui no nosso Jogo da Língua que as siglas não têm plural. Tal como dizemos “os PALOP, as PME”, pequenas e médias empresas, e não dizemos “os PALOPs” nem “as PMEs”, então DVD, CD, que são dois substantivos, duas siglas que são substantivos, nós usamos com muita frequência, no nosso dia-a-dia, também não devem ser flexionados no plural. Portanto, como eu acabei de referir, devemos dizer “os CD”. E, já agora, uma, uma ressalva: frequentemente, nós vemos escrito CD, apóstrofo, s, ou DVD, apóstrofo, s. É igualmente um erro uma vez que o apóstrofo é um sinal de elisão, utilizado para nós suprimirmos uma vogal antes de outra, pelo que não faz qualquer sentido usá-lo antes do s para indicar plural das siglas. Portanto, as siglas não têm plural: “um CD, dois CD”» (Jogo da Língua, Sandra Duarte Tavares, Antena 1, 8.09.2011).

      Tudo sabido e consabido, e hoje não pretendo criticar nada em especial – embora haja motivos de sobra para o fazer, porque o apuro estilístico da frase está ao nível de um aluno médio do 12.º ano.

     A parte destacada levou-me a reflectir nestas verdades imutáveis. Esta formulação da questão de Cláudio Moreno, no Sua Língua, resume bem o que está em causa: «Por que levar as siglas para o plural? Olha, parece-me que os portugueses (os da internet) não costumam fazê-lo. Não existe ninguém (não há um deus da gramática, Jorge) que possa dizer se eles estão certos ou errados; podemos apenas comparar duas hipóteses e optar pela que parece ser mais lógica e consistente. Eu, por exemplo, sigo a lição do meu grande mestre Celso Pedro Luft, que ensinava que as siglas, no momento em que são substantivos (mesmo criados artificialmente, são substantivos, exercendo todas as funções sintáticas reservadas a essa classe de palavras), passam a ter plural, que é assinalado, no Português, pelo acréscimo do S: “a convenção anual das APAEs”, “o valor estava expresso nas antigas ORTNs”; “as CPIs estão paralisando o governo”; “Varginha parece ser o local preferido pelos ETs“; e assim por diante (como, aliás, é feito com as abreviaturas, das quais as siglas são irmãs: drs., srs., etc.)» 

 

 

[Texto 465] 

Helder Guégués às 08:04 | comentar | ver comentários (4) | favorito
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