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Linguagista

Vale dos Cinco Leões

Não assentam numa forma

 

      «A Frente Nacional de Resistência do Afeganistão (NRF) que combate contra os talibãs na província afegã do Panshir negou o controlo da região pelas forças do Emirado Islâmico e assegura que os combates continuam» («Vale do Panshir. Frente Nacional da Resistência nega derrota face aos talibãs», Rádio Renascença, 6.09.2021, 9h25). Aqui, Panshir, como sempre tenho visto, mas na chamada para o artigo, lê-se isto: «Vale do Panchir. Frente Nacional da Resistência nega derrota face aos talibãs». Ainda pensei que fosse algum aportuguesamento, mas é apenas desmazelo. Transliterado, será qualquer coisa como Dare-ye Panjšēr, que literalmente significa Vale dos Cinco Leões. Ora, não tem Ken Follett uma obra com o título em português O Vale dos Cinco Leões? É isso, é o mesmo vale. Também se vê a grafia Panjshir, como aqui: «Caiu o Vale do Panjshir, região montanhosa considerada inexpugnável em 40 anos de guerra e única bolsa ainda não tomada pelos talibãs» («“Quero dizer aos canalhas que eu nunca serei preso”», Cristina Peres, Expresso Curto, 8.09.2021).

 

[Texto 15 444]

Léxico: «vizinho de patamar»

De pedra

 

      «Numa subsequente troca de notas diplomáticas confidenciais, a que se seguiram encontros secretos entre autoridades dos dois governos, o Canadá e os Estados Unidos concordaram em que a solução preferível seria, podendo ser, fixar a península num ​ponto da sua rota suficientemente próximo para ficar fora da área de influência europeia e suficientemente afastado para não causar danos imediatos ou mediatos aos interesses canadianos e norte-americanos, devendo desde já iniciar-se ​um estudo com vista a introduzir alterações convenientes nas respectivas leis de imigração, reforçando sobretudo as suas disposições cautelares, não julguem os espanhóis e os portugueses que podem entrar-nos pela casa dentro sem mais nem quê, a pretexto de passarmos a ser vizinhos de patamar» (A Jangada de Pedra, José Saramago. Lisboa: Editorial Caminho, 1988, p. 283).

      É isso: temos vizinhos e, alguns de nós, vizinhos de patamar (que, infelizmente, não escolhemos, tal como não escolhemos a família). Portanto, aquela espertalhona teria de traduzir «voisins de palier» por «vizinhos de patamar», mas não o fez.

 

[Texto 15 408]