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Linguagista

Sobre «predador»

Em sentido figurado, pois

 

      «Para identificar o predador, foram essenciais os vestígios biológicos deixados nos lençóis e no pijama da vítima» («Ataca jovem na cama e força-a a fazer sexo», Nelson Rodrigues, Correio da Manhã, 2.11.2017, p. 13).

    Fará sentido usar tal termo neste contexto? Não me parece. No Correio da Manhã, muito atreito ao drama, ao horror, ao desespero, à desgraça, não fica mal, mas o certo é que se lê por aqui e por ali a palavra para designar os violadores. No Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora, o verbete está incompleto.

 

[Texto 8327]

«Naturais», de novo

Mas sabia

 

      Aqui da gaveta dos retroses tirei esta frase de Alçada Baptista: «Cada cidade tinha um bocadinho reservado para os exilados doutras cidades que, com alguns naturais, bebiam amarguras e absintos, em boémias que acabavam em livros e em conspirações» (A Cor dos Dias ­— Memórias e Peregrinações, António Alçada Baptista. Queluz de Baixo: Editorial Presença, 2003, p. 103). Lá está — naturais, não, como agora se lê em traduções e na imprensa, «locais». Alçada Baptista não era um escritor dado a apuros formais, muito longe disso, mas gosto de ler algumas das suas obras. No fundo, era apenas um excelente contador de histórias — e estas até num vídeo se podem contar.

 

[Texto 8156]