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Linguagista

Não nos entendemos

Um país, duas ortografias

 

      Ou mais. Num país com duas ortografias, nada disto tem importância, até porque não é português: «A companhia estatal que gere as centrais nucleares da Ucrânia, a NNEGC Energoatom, avança que morreram três militares ucranianos no ataque à central de Zaporíjia. O diretor da Agência Internacional de Energia Atómica já tinha confirmado dois feridos, ambos seguranças no local» («Nuclear. Diretor da AIEA disponível para ir a Kiev negociar segurança das centrais», Olímpia Mairos, Rádio Renascença, 4.03.2022, 11h38). «As tropas russas tomaram a central nuclear ucraniana de Zaporizhzhia, a maior da Europa, informou o regulador nuclear estatal da Ucrânia, acrescentando que a equipa da central controla o estado dos edifícios e garante seu correto funcionamento» («Tropas russas ocupam central nuclear de Zaporizhzhia», TSF, 4.03.2022, 7h52).

 

[Texto 16 058]

As palavras dos outros

Talvez um dia

 

      «António Costa leva a maioria depois de anos de trabalho, nos quais vem neutralizando sistematicamente todos os seus maiores competidores (quer esquerda quer centro), desde 2015. Primeiro, calou Bloco e PC prometendo-lhes lugar ao sol. Depois, enterrou-os, decepando também o PSD quando fez que juntos aplaudissem tipo foca amestrada a sua gestão da covid. Durante dois anos nesse monotema, todos lhe bateram continência. As consequências da mesmice são hoje visíveis» («Rei em São Bento», Joana Amaral Dias, Diário de Notícias, 31.01.2022, p. 9).

      Talvez devesse também fazer parte do nosso vocabulário. Certo é que, apesar de o vermos aqui e ali, mas pouco, em textos em língua portuguesa, está no Dicionário da Real Academia Espanhola: «1. m. Tema único. U. t. en sent. despect.» Nós não temos nem «monotema» nem «unitema» nem nada que transmita a mesma ideia. Temos apenas o adjectivo, monotemático, que é o que só tem ou fala ou trata de um tema.

 

[Texto 15 931]